Lula é oficializado candidato à reeleição e promete novo ciclo de governo

Durante convenção que oficializou sua candidatura, presidente apresentou prioridades para um possível quarto mandato, defendeu investimentos em defesa, políticas para idosos e afirmou que pretende encerrar a carreira política ao fim do próximo governo

Lula discursa em convenção — Foto: Arthur Stabile/g1


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) oficializou neste domingo (2) sua candidatura à reeleição durante a convenção nacional do partido, realizada em São Paulo. Em um discurso marcado pela defesa do legado de seu governo e pela apresentação de novas prioridades para um eventual quarto mandato, Lula afirmou que o Brasil já garantiu "o básico" e que, agora, é o momento de promover um novo ciclo de desenvolvimento.

Segundo o presidente, uma nova gestão será voltada para cinco áreas estratégicas: ampliação dos investimentos em educação, criação de um programa nacional para idosos, fortalecimento da indústria de defesa, valorização das terras raras e minerais críticos como patrimônio nacional e aceleração da transição energética.

Lula diz que encerrará carreira política após eventual novo mandato

Ao comparar sua trajetória política à participação de jogadores em Copas do Mundo, Lula afirmou que, caso seja reeleito, não pretende disputar novamente a Presidência da República.

"Se eu ganhar, serão quatro Copas. Não vou disputar o penta. Depois quero tirar férias e aproveitar mais 20 anos de vida", declarou.

O presidente também sustentou que sua campanha será baseada nos resultados alcançados pelo governo federal, sem necessidade de promessas que, segundo ele, não possam ser cumpridas.

"Quem fez pode prometer mais. Quem não fez não tem o que prometer", afirmou, ao pedir que militantes e aliados destaquem as obras, programas e investimentos realizados pela União nos estados e municípios.

Violência contra a mulher entra entre as prioridades

Durante o pronunciamento, Lula voltou a defender o enfrentamento à violência contra as mulheres e afirmou que o tema deve permanecer como prioridade do governo e do Partido dos Trabalhadores.

Segundo ele, é necessário ampliar o combate aos agressores e fortalecer políticas públicas de proteção às vítimas.

Críticas ao fundo partidário e às emendas parlamentares

Lula também aproveitou o discurso para defender mudanças no sistema político. O presidente criticou o atual modelo de financiamento partidário e afirmou que pretende enfrentar o debate sobre as emendas parlamentares em um eventual novo mandato.

Na avaliação do petista, o fundo partidário contribuiu para tornar os partidos excessivamente dependentes dos recursos públicos e reduziu diferenças entre as legendas.

Presidente afirma estar em plenas condições físicas

Aos 80 anos, Lula rebateu questionamentos sobre sua idade e garantiu que está preparado para enfrentar uma nova campanha eleitoral e governar por mais quatro anos.

O presidente afirmou que mantém rotina de exercícios físicos, disse estar "inteiraço" e declarou sentir-se "infinitamente melhor" do que em fases anteriores da vida.

Defesa nacional e políticas para idosos

Entre os compromissos anunciados, Lula destacou a intenção de ampliar investimentos na indústria de defesa. Segundo ele, o Brasil precisa fortalecer sua capacidade estratégica e garantir maior autonomia nacional.

Outra proposta apresentada foi a criação de um programa específico para a população idosa. O presidente defendeu políticas que incentivem qualidade de vida, inclusão social e autonomia para os brasileiros da terceira idade.

Pedido de desculpas e balanço da gestão

Ao final do discurso, Lula reconheceu que nem todas as promessas feitas ao longo de seus governos foram cumpridas e pediu compreensão aos apoiadores.

Segundo o presidente, governar exige lidar com limitações políticas e orçamentárias, o que impede que todas as propostas sejam executadas da forma inicialmente planejada.

Convenção reuniu aliados em São Paulo

A convenção foi realizada no Expo Center Norte, na capital paulista, e reuniu dirigentes do PT, ministros, parlamentares e lideranças de partidos aliados.

Antes do pronunciamento de Lula, discursaram o presidente nacional do PT, Edinho Silva, o candidato ao Governo de São Paulo, Fernando Haddad, e o candidato a vice-presidente, Geraldo Alckmin. A primeira-dama Janja Lula da Silva também falou ao público, após convite feito pelo próprio presidente, que reconheceu a ausência inicial de mulheres entre os oradores do evento.

Eleito presidente em 2002, reeleito em 2006 e novamente vencedor das eleições de 2022, Lula busca agora conquistar seu quarto mandato à frente do Palácio do Planalto. Caso vença a disputa deste ano, chegará a 16 anos como presidente da República, tornando-se um dos governantes que mais tempo permaneceram no cargo na história do país. 

Fonte: G1

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