PF apura financiamento do BRB a Flávio Bolsonaro para compra de mansão de R$ 6 milhões

Empréstimo de R$ 3,1 milhões contratado em 2021 entrou no foco do inquérito sobre as relações entre o BRB e o Banco Master; senador afirmou anteriormente que a operação foi legal

Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência — Foto: Raul Luciano/Ato Press/Estadão Conteúdo


A Polícia Federal investiga as condições de um financiamento concedido pelo Banco de Brasília (BRB) ao senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para a compra de uma mansão em Brasília. A operação passou a integrar as apurações relacionadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e às relações entre o Banco Master e a instituição financeira do Distrito Federal. 

O imóvel, localizado no Setor de Mansões Dom Bosco, foi adquirido em 2021 por aproximadamente R$ 6 milhões. Desse valor, R$ 3,1 milhões foram financiados pelo BRB em um contrato com prazo de 360 meses, equivalente a 30 anos. Reportagens publicadas na época registraram que o imóvel tem cerca de 2,4 mil metros quadrados de área total. 

O contrato previa taxa nominal de 3,65% ao ano e taxa efetiva de 3,71%, com correção pela inflação. Na ocasião, o financiamento chamou atenção pelas condições oferecidas pelo banco e chegou a ser alvo de apuração do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), que buscava verificar se o empréstimo havia sido concedido dentro das condições normais praticadas pela instituição. 

Segundo informações divulgadas nesta quinta-feira (2), o financiamento voltou ao centro das apurações após uma auditoria independente contratada pelo BRB apontar possíveis irregularidades em operações de crédito. O material produzido pela auditoria teria sido encaminhado à Polícia Federal e passou a subsidiar as investigações envolvendo o banco. 

À época da contratação, o BRB era presidido por Paulo Henrique Costa. Atualmente, as investigações da PF examinam operações realizadas no contexto da relação entre o BRB e o Banco Master, instituição que era controlada por Daniel Vorcaro. 

Quando a compra da mansão se tornou pública, Flávio Bolsonaro afirmou que possuía capacidade financeira para assumir o financiamento. O senador declarou que os recursos para aquisição do imóvel tinham origem, entre outras fontes, na venda da residência onde morava anteriormente e em sua participação em uma loja de chocolates.

Documentos divulgados em 2021 mostraram que Flávio e sua esposa, Fernanda Bolsonaro, contrataram conjuntamente o financiamento. O contrato estabelecia prestação mensal inicial de aproximadamente R$ 18,7 mil. 

Apesar de o prazo previsto ser de três décadas, o empréstimo de R$ 3,1 milhões foi posteriormente quitado em cerca de três anos, circunstância que também está sendo considerada na apuração das condições da operação. 

Flávio Bolsonaro já declarou publicamente que não houve irregularidade na aquisição do imóvel e sustentou que a transação foi realizada de forma legal. A investigação da Polícia Federal está em andamento e, até o momento, a existência de apuração sobre o financiamento não representa conclusão de responsabilidade criminal do senador.

O caso ocorre dentro de uma investigação mais ampla sobre operações envolvendo Daniel Vorcaro, o Banco Master e o BRB, que vem examinando movimentações financeiras e contratos celebrados entre pessoas e instituições relacionadas ao grupo. 

fonte: G1

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