Renan Calheiros denuncia pressão do Centrão para frear liquidação do Banco Master

Presidente da CAE afirma que Câmara teria constrangido o TCU e questiona atuação política para enfraquecer fiscalização

Renan Calheiros (MDB-AL) diz que definição sobre crime de genocídio será definido nos próximos dias | Crédito: Brasil de Fato

As declarações do senador Renan Calheiros (MDB-AL) sobre a tentativa de interferência política na liquidação do Banco Master escancaram um embate institucional em que interesses financeiros se chocam com os mecanismos de controle do Estado. Segundo o parlamentar, integrantes do Centrão e dirigentes da Câmara dos Deputados teriam pressionado o Tribunal de Contas da União para reduzir o rigor da fiscalização sobre a decisão do Banco Central do Brasil, que decretou a liquidação da instituição em novembro passado.

Renan foi direto ao caracterizar o movimento como chantagem explícita, voltada a “liquidar a liquidação” determinada pela autoridade monetária. Para o senador, não se trata de divergência técnica, mas de tentativa política de reverter um ato administrativo sustentado por suspeitas graves de fraude. A pressão, afirmou, teria partido do topo da Câmara, com menções diretas ao presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), a quem cobrou explicações públicas.

No centro da controvérsia está a estratégia de usar o próprio Parlamento como instrumento de constrangimento institucional. Renan relata que houve tentativa de votar, em caráter oportunista, a ampliação da cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para R$ 1 milhão por investidor, medida que, segundo ele, serviria para amortecer o impacto político e financeiro da quebra de um banco específico. “Não é proteção ao sistema financeiro; é proteção a um banco investigado”, resumiu.

Foto reprodução da rede social de Daniel Vorcaro

O Banco Master é alvo da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que apura a concessão de créditos falsos e outras irregularidades com potencial de movimentar bilhões de reais. O controlador da instituição, Daniel Vorcaro, encontra-se em prisão domiciliar enquanto as investigações avançam. Diante desse cenário, Renan sustenta que qualquer tentativa de afrouxar a fiscalização representa risco direto à credibilidade do sistema financeiro e à autoridade do Estado.

Para o senador, o episódio revela um padrão preocupante: quando a fiscalização alcança interesses poderosos, a reação não é colaborar com a apuração, mas pressionar quem fiscaliza. O caso, diz, ultrapassa a crise de um banco e toca no núcleo da democracia institucional, ao testar a independência de órgãos de controle frente a investidas políticas. Se confirmadas, as pressões configurariam não apenas um escândalo, mas uma tentativa de captura do Estado para proteger interesses privados, com o Parlamento atuando como escudo, e não como fiscal do poder.

Fonte: IG

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