Crescimento da renda e inserção no mercado de trabalho levaram milhares de beneficiários a superar os critérios de permanência no programa
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| Foto: Gabriel Lyon/ MDS |
Mais de 118 mil famílias piauienses deixaram de receber o Bolsa Família entre março de 2023 e abril de 2026 após registrarem aumento de renda acima dos limites estabelecidos pelo programa social. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) e indicam uma mudança significativa no perfil dos beneficiários do estado.
Segundo o levantamento, o mesmo cenário foi observado em todo o país, onde mais de 5,1 milhões de famílias deixaram o programa em razão da melhora da situação financeira. O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, atribuiu os números à ampliação das oportunidades de emprego e geração de renda.
“De 2023 para cá, com esse novo modelo estimulador do emprego e do trabalho, mais de 5 milhões de famílias saíram da pobreza. Saíram do Bolsa Família porque passaram a ter um emprego”, afirmou o ministro.
Para garantir uma transição gradual às famílias que conquistam aumento de renda, o governo federal mantém a chamada Regra de Proteção. O mecanismo permite que famílias cuja renda mensal por pessoa ultrapasse o limite regular de entrada no programa, mas permaneça até R$ 706 per capita, continuem recebendo metade do benefício por até 12 meses.
A medida foi criada para evitar que trabalhadores recém-inseridos no mercado formal ou que tenham obtido melhora temporária na renda percam imediatamente o apoio financeiro, reduzindo os riscos de retorno à situação de vulnerabilidade.
No ranking nacional, São Paulo lidera o número de desligamentos por aumento de renda, com 745,6 mil famílias. Na sequência aparecem Distrito Federal, com 546 mil famílias, Bahia, com 487,6 mil, Minas Gerais, com 430,2 mil, e Rio de Janeiro, com 393,7 mil desligamentos.
Os dados também surgem em meio ao debate sobre os impactos sociais do Bolsa Família. Recentemente, o apresentador Luciano Huck afirmou, durante o 5º Fórum Esfera, que municípios altamente dependentes dos recursos do programa poderiam enfrentar dificuldades para estimular a emancipação financeira das famílias beneficiárias.
Ao citar o município baiano de Senhor do Bonfim, Huck argumentou que uma forte participação do Bolsa Família na economia local poderia reduzir os incentivos para a saída do programa. Os números divulgados pelo MDS, entretanto, apontam para um movimento expressivo de famílias que alcançaram renda suficiente para deixar o benefício, reforçando a tese de que o programa pode funcionar como instrumento de proteção social aliado à inclusão produtiva e ao acesso ao mercado de trabalho.
Fonte: Cidade Verde
