Saúde anuncia plano de R$ 9,8 bilhões para preparar o SUS diante de eventos climáticos extremos

Estratégia prevê ações até 2035, criação de centros especializados, sistema de alerta para ondas de calor e reforço da resposta a desastres em todo o país

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasi


O Ministério da Saúde apresentou um plano nacional para fortalecer a capacidade do Sistema Único de Saúde (SUS) diante dos impactos provocados pelo El Niño e pelas mudanças climáticas. A iniciativa prevê investimentos de R$ 9,8 bilhões e estabelece um conjunto de medidas que serão executadas até 2035 para ampliar a prevenção, o monitoramento e a resposta a desastres ambientais e emergências sanitárias.

O programa reúne 27 metas e 93 ações voltadas à preparação do sistema de saúde para enfrentar eventos extremos, como ondas de calor, secas, enchentes e outros fenômenos climáticos que afetam diretamente a população. Entre os objetivos estão a antecipação de riscos, o fortalecimento da rede de atendimento, a proteção das comunidades mais vulneráveis e a recuperação rápida das áreas atingidas.

Para alcançar esses resultados, o plano está estruturado em cinco eixos principais: coordenação entre União, estados, municípios e Defesa Civil; fortalecimento da capacidade operacional do SUS; ampliação da comunicação com gestores, profissionais de saúde e cidadãos; monitoramento de riscos climáticos, sanitários e epidemiológicos; além do reforço no abastecimento de medicamentos, vacinas, água potável e outros insumos essenciais para situações de emergência.

Outra medida prevista é a implantação de oito Centros Integrados de Saúde e Clima, distribuídos pelas cinco regiões brasileiras. Essas unidades terão a função de monitorar os impactos das mudanças climáticas sobre a saúde pública e coordenar respostas mais rápidas diante de situações críticas. O primeiro centro será inaugurado na Bahia.

Monitoramento do calor extremo
Entre as novidades anunciadas está a criação do Painel Nacional de Excesso de Calor, plataforma que permitirá acompanhar episódios de altas temperaturas e emitir alertas com até cinco dias de antecedência. A ferramenta servirá para orientar ações preventivas e reduzir os riscos à saúde da população durante períodos de calor intenso.

O ministério também ampliará a estrutura da Força Nacional do SUS, que passará a contar com oito bases espalhadas pelo país. A expectativa é que as equipes consigam iniciar o atendimento em qualquer emergência em até 12 horas e implementar ações compatíveis com a gravidade do desastre em até 72 horas.

Cuidados especiais com idosos
Como parte das medidas preventivas, o Ministério da Saúde desenvolveu um protocolo específico para proteger idosos durante períodos de calor extremo. As recomendações incluem oferecer água regularmente, mesmo sem sensação de sede, evitar exposição ao sol nos horários mais quentes, manter os ambientes ventilados, acompanhar corretamente o uso de medicamentos contínuos e utilizar soro fisiológico para aliviar o ressecamento dos olhos e das narinas.

Mudanças climáticas e saúde pública
Durante o lançamento do plano, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que os efeitos das mudanças climáticas já representam uma das maiores ameaças à saúde pública no Brasil.

Segundo ele, um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) aponta que aproximadamente 120 mil mortes registradas nos últimos 20 anos estão diretamente relacionadas ao aumento da temperatura média em diversas regiões do país.
Padilha destacou que, embora a redução das emissões de gases de efeito estufa continue sendo fundamental, é indispensável adaptar o sistema público de saúde para enfrentar uma realidade de eventos climáticos cada vez mais frequentes e intensos, garantindo atendimento rápido e proteção à população.

Fonte: Agência Brasil 

Postar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem