Ciro Nogueira reduz críticas a Lula e articula reaproximação política de olho na reeleição

Presidente do PP interrompe ofensiva digital contra o governo e participa de conversas estratégicas com o PT e lideranças do Centrão

Senador Ciro Nogueira - Foto: Agência Senado


O senador Ciro Nogueira (PP-PI) alterou significativamente sua postura política em relação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Após ter feito mais de 90 publicações com críticas diretas ou indiretas ao governo ao longo do ano passado, o parlamentar interrompeu o bombardeio digital e passou a adotar um tom mais cauteloso, movimento interpretado como parte de uma estratégia de reaproximação visando o cenário eleitoral.

Levantamento aponta que a última postagem crítica de Nogueira ocorreu em 18 de novembro, quando afirmou que “a conta do governo estava no vermelho”. A mudança integra um suposto “pacto de não agressão” entre ele e Lula, segundo bastidores políticos.

Reunião com o PT e articulações regionais

Em janeiro, Ciro participou de uma reunião com o presidente do PT, Edinho Silva, ao lado de Antonio Rueda, presidente do União Brasil. O encontro teve como foco cenários regionais e possíveis composições eleitorais para outubro.

A movimentação ocorre em meio à tentativa de aproximação de partidos do Centrão com o PT, enquanto o governo busca neutralidade desse grupo no pleito nacional, especialmente para evitar alinhamento ao campo do senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato da direita.

Federação partidária e estratégia de neutralidade

União Brasil e PP, que somam 108 deputados e 13 senadores, articulam a formação de uma federação partidária, ainda pendente de formalização no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A tendência atual é que o grupo adote postura neutra na eleição presidencial, liberando seus filiados para alianças regionais.

Apesar da mudança de tom, Ciro mantém fixado em suas redes um vídeo em que critica o governo e acusa o Planalto de acionar um “gabinete de ódio” contra ele, após investigações da Polícia Federal envolvendo o setor de combustíveis e o caso do Banco Master.

Indefinições no Nordeste

Nos bastidores, o diálogo entre as lideranças também envolve estados estratégicos como Pernambuco, Ceará e Maranhão, onde o PT mantém forte capacidade de articulação eleitoral. No Ceará, por exemplo, a federação ainda avalia cenários diante da possível candidatura de Ciro Gomes ao governo estadual e das negociações com o governador Elmano de Freitas (PT).

Aliados indicam que a federação deve adiar qualquer definição nacional até o período das convenções partidárias, mantendo diálogo aberto com diferentes campos políticos.

Reposicionamento estratégico

A interlocução com o PT é vista como tentativa de reconstruir pontes após o rompimento anunciado no ano passado entre o grupo e o governo federal. Embora Ciro tenha sido ministro-chefe da Casa Civil no governo de Jair Bolsonaro e seja figura central na articulação da centro-direita no Congresso, aliados minimizam o peso político da reaproximação, classificando as conversas como institucionais e frequentes.

Para o PT, manter canais de diálogo com partidos de centro é estratégico para evitar isolamento em colégios eleitorais relevantes e reduzir a adesão antecipada dessas legendas ao campo bolsonarista.

O cenário, por ora, segue indefinido — mas o silêncio digital de Ciro Nogueira sinaliza que, nos bastidores, o tabuleiro político já está em movimento.

Fonte: O Globo

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