Relatório identifica movimentações consideradas incompatíveis com o faturamento declarado da empresa e levanta suspeitas sobre a origem dos recursos
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| Foto: Divulgação Banco Master |
O Banco Master e a JBS repassaram cerca de R$ 18 milhões a uma empresa de consultoria que, posteriormente, realizou pagamentos ao filho do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Kassio Nunes Marques. As informações constam em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que identificou indícios de incompatibilidade entre os valores movimentados e a capacidade financeira da empresa envolvida.
Os repasses ocorreram entre agosto de 2024 e julho de 2025. De acordo com o Coaf, o volume de recursos recebidos pela empresa Consult Inteligência Tributária é desproporcional ao faturamento declarado no período, que foi de apenas R$ 25,5 mil. Segundo a análise, essa discrepância levanta suspeitas sobre a origem e a finalidade das transações.
Dados divulgados pelo jornal Estadão indicam que o Banco Master transferiu R$ 6,6 milhões à consultoria, enquanto a JBS repassou R$ 11,3 milhões. Para o órgão de controle, a diferença entre os valores recebidos e a receita formal pode indicar o uso da empresa para movimentação atípica de recursos, possivelmente de origem não declarada.
Ainda conforme a reportagem, a consultoria realizou ao menos 11 pagamentos ao advogado Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro, totalizando R$ 281.630. Os valores foram destinados ao escritório do próprio advogado, que atua como único responsável pela banca, conforme registros da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Em manifestação, Kevin Marques afirmou que os valores são lícitos e decorrem de serviços profissionais prestados.
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| Foto: Alejandro Zambrana/Secom/TSE Ministro do STF Nunes Marques |
O ministro Kassio Nunes Marques não comentou o caso até o momento.
A Consult Inteligência Tributária foi criada em 2022 por um empresário de Teresina, cidade natal do ministro. A empresa declarou que presta serviços de auditoria e consultoria tributária para grandes grupos empresariais. Em nota, a JBS confirmou a contratação da consultoria, destacando a complexidade do sistema tributário brasileiro como justificativa para esse tipo de serviço. Já o Banco Master não se manifestou.
A consultoria informou que os pagamentos recebidos correspondem a serviços prestados e que a contratação do advogado ocorreu para atividades técnicas e de assessoria jurídica entre 2024 e 2025. No entanto, não detalhou quais serviços foram executados nem os critérios adotados para a escolha do profissional.
O caso se insere em um contexto mais amplo de investigações envolvendo o Banco Master. A instituição financeira aparece no centro de apurações federais sobre suspeitas de fraudes financeiras, que incluem a possível comercialização de títulos de crédito considerados irregulares.
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| Foto: Divulgação/Banco Master Empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master |
O banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, foi preso pela primeira vez em novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, ao tentar embarcar para Dubai. Segundo a Polícia Federal, havia risco de fuga. Posteriormente, a Operação Compliance Zero ampliou as investigações, com cumprimento de mandados de prisão e busca e apreensão em Minas Gerais e São Paulo.
As autoridades investigam um possível esquema bilionário envolvendo títulos de crédito supostamente falsos, além de apurar indícios de crimes como lavagem de dinheiro, corrupção, ameaça e invasão de dispositivos informáticos. Vorcaro também era esperado para depor na CPI do Crime Organizado, mas acabou preso novamente no dia da oitiva. Atualmente, encontra-se detido no Presídio Federal de Brasília.
Na última sexta-feira (13), o Supremo Tribunal Federal formou maioria para manter a prisão preventiva do banqueiro. As investigações seguem em andamento, e novas informações podem surgir à medida que os órgãos responsáveis aprofundam as apurações.
Fonte: IG


