Estudo aponta que adoçantes artificiais podem afetar o metabolismo de futuras gerações

Pesquisa com camundongos indica que sucralose e estévia alteram microbiota e expressão genética com efeitos que ultrapassam gerações

Imagem: Celso Pupo/Shutterstock

O uso de adoçantes não nutritivos, como sucralose e estévia, amplamente adotados como alternativa ao açúcar, pode ter impactos mais profundos do que se imaginava. Um estudo recente conduzido por pesquisadores da Universidade do Chile, publicado na revista Frontiers in Nutrition, aponta que essas substâncias podem provocar alterações metabólicas que são transmitidas para gerações futuras, mesmo que os descendentes nunca tenham consumido os adoçantes.

A pesquisa reforça alertas já feitos pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que tem questionado os benefícios de longo prazo desses produtos, associando seu uso a possíveis riscos, como diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares.

Alterações genéticas e inflamatórias

O estudo analisou três gerações de camundongos (F0, F1 e F2). Apenas a geração inicial recebeu água com sucralose ou estévia, enquanto as demais consumiram apenas água pura. Ainda assim, os efeitos se propagaram.

Entre os principais achados, destacam-se alterações na expressão de genes relacionados à inflamação e ao metabolismo. No caso da sucralose, houve aumento da atividade de genes inflamatórios no intestino tanto na geração original quanto em seus descendentes. Já no fígado, foi observada redução na expressão de genes ligados à produção de lipídios, com impacto persistente até a segunda geração.

Outro ponto relevante foi a alteração nos níveis de glicose. Embora os camundongos da geração inicial não tenham apresentado mudanças significativas, seus descendentes machos mostraram pior resposta glicêmica e níveis mais elevados de açúcar no sangue em jejum.

Microbiota intestinal no centro dos efeitos

Os cientistas identificaram que a microbiota intestinal desempenha papel central nesse processo. Os adoçantes analisados provocaram mudanças significativas no microbioma, afetando a produção de ácidos graxos de cadeia curta, compostos essenciais para a saúde metabólica e controle da inflamação.

Essas alterações também foram herdadas pelas gerações seguintes, indicando que o impacto vai além do indivíduo que consome os adoçantes. A sucralose apresentou efeitos mais consistentes e duradouros, possivelmente por permanecer mais tempo no organismo e exercer maior pressão sobre as bactérias intestinais. Já a estévia, por ser metabolizada mais rapidamente, demonstrou impacto relativamente menor.

Sinais de alerta, mas sem conclusões definitivas

Apesar dos resultados, os pesquisadores ressaltam que o estudo foi realizado em modelos animais, o que permite controle rigoroso das variáveis, mas não representa automaticamente o mesmo efeito em humanos.

A principal autora da pesquisa, Francisca Concha Celume, destacou que os achados devem ser interpretados como sinais biológicos iniciais, e não como conclusões definitivas. Segundo ela, as mudanças observadas podem indicar processos metabólicos e inflamatórios que merecem atenção.

Diante disso, especialistas reforçam a importância da moderação no consumo de adoçantes artificiais, assim como do açúcar, recomendando uma alimentação equilibrada e baseada em alimentos naturais como estratégia para preservar a saúde a longo prazo.

Fonte: Olhar Digital

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