O governo dos Estados Unidos anunciou, nesta quarta-feira (1º), a aplicação de sanções econômicas contra dois brasileiros e três empresas sediadas no Brasil por suposta participação em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). As medidas foram oficializadas pelo Departamento do Tesouro norte-americano e representam a primeira ação do tipo desde que o PCC passou a ser considerado uma organização terrorista internacional pelo governo dos EUA.
Segundo as autoridades americanas, foram sancionados Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, além das empresas Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda, Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda e Wave Construções Inteligentes Ltda.
De acordo com o Departamento do Tesouro, os investigados fariam parte de uma estrutura internacional utilizada para ocultar e movimentar recursos provenientes das atividades criminosas da facção. A investigação também aponta que outros seis integrantes da mesma rede foram presos em janeiro deste ano, no estado da Flórida.
As autoridades norte-americanas afirmam que Victor Shimada desempenhava um papel estratégico na conexão entre integrantes do PCC estabelecidos na Flórida e traficantes internacionais. Conforme a acusação, ele teria lavado mais de US$ 30 milhões obtidos de atividades ilícitas em diversas cidades dos Estados Unidos, utilizando criptomoedas para transferir os recursos ao Brasil em benefício da organização criminosa. Além disso, também responderia por outros crimes financeiros.
Já Stella Stefanie, apontada como parente de Shimada, teria atuado como secretária e intermediária da operação, auxiliando na coleta de grandes quantias em dinheiro e oferecendo suporte logístico considerado essencial para o funcionamento do esquema de lavagem.
Em nota, o Departamento do Tesouro voltou a classificar o PCC como a maior organização criminosa transnacional do Hemisfério Ocidental e afirmou que o grupo representa uma ameaça significativa à segurança nacional dos Estados Unidos.
O subsecretário norte-americano para Terrorismo e Inteligência Financeira, Gene Lange, declarou que as sanções reforçam o compromisso do governo em combater a expansão financeira da facção dentro do território americano.
"Esta designação é mais um passo do governo dos Estados Unidos para enfrentar e reconhecer a crescente presença da geração de receitas ilícitas do Primeiro Comando da Capital dentro de nossas fronteiras. O crime organizado no Hemisfério Ocidental não pode ser autorizado a estabelecer operações em solo americano que contribuam para a criminalidade e a ilegalidade", afirmou.
