Filme sobre Bolsonaro e apuração envolvendo Jaques Wagner permanecem sob sigilo no caso Master

André Mendonça tornou públicas as principais investigações relacionadas ao Banco Master no STF, mas manteve restrição sobre o filme “Dark Horse” e sobre apurações que citam o senador Jaques Wagner

Senadores Jaques Wagner e Flávio Bolsonaro - Imagem reprodução 


O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou nesta quinta-feira (10) o sigilo de parte das investigações relacionadas ao Banco Master que tramitam na Corte. A medida tornou públicos documentos e procedimentos ligados ao caso, inclusive apurações envolvendo Daniel Vorcaro, ex-dono da instituição financeira, atualmente preso em Brasília.

A decisão, no entanto, não alcançou todas as frentes investigativas. Permanecem sob sigilo procedimentos relacionados ao financiamento do filme “Dark Horse”, produção sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, e as apurações envolvendo a relação entre o senador Jaques Wagner (PT-BA) e Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master.

O levantamento do sigilo foi determinado por Mendonça após solicitação do presidente do STF, ministro Edson Fachin. Com a decisão, passaram a ter acesso público diferentes inquéritos, reclamações e petições vinculados às investigações sobre o banco.

Filme “Dark Horse”

O filme “Dark Horse” passou a ocupar espaço nas investigações depois da divulgação, pelo site The Intercept Brasil, de mensagens atribuídas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, e Daniel Vorcaro.

As conversas indicariam tratativas para a obtenção de recursos destinados à produção cinematográfica sobre Jair Bolsonaro. Segundo as informações divulgadas, Flávio teria solicitado recursos ao então banqueiro e acompanhado as negociações relacionadas aos pagamentos.

Daniel Vorcaro teria destinado aproximadamente R$ 61 milhões aos produtores do filme por meio de um fundo nos Estados Unidos.

Ainda de acordo com o The Intercept Brasil, Flávio Bolsonaro teria negociado um repasse de US$ 24 milhões, montante equivalente a aproximadamente R$ 134 milhões à época, destinado ao financiamento da produção antes da prisão de Vorcaro.

Os valores relacionados ao caso incluem R$ 75,1 milhões que a produtora afirma ter desembolsado na realização do filme; R$ 61 milhões que teriam sido repassados por Daniel Vorcaro por intermédio de um fundo nos Estados Unidos; e cerca de R$ 134 milhões referentes ao montante que teria sido negociado por Flávio Bolsonaro.

Outra cifra mencionada no contexto das investigações é de R$ 108 milhões, correspondente a um contrato firmado entre uma ONG ligada a Karina da Gama e a Prefeitura de São Paulo para instalação de pontos de wi-fi na capital paulista. O contrato é alvo de apuração pelo Ministério Público e pela Polícia Civil.
As investigações relacionadas ao filme permanecem protegidas por sigilo.

Jaques Wagner e o Banco Master

Também continua sob sigilo a frente investigativa relacionada ao senador Jaques Wagner e Augusto Lima, apontado como sócio de Daniel Vorcaro e investigado por suspeitas de fraudes financeiras.

Segundo os elementos atribuídos à investigação, foram identificadas 74 ligações telefônicas entre Wagner e Augusto Lima.
A Polícia Federal aponta suspeitas de que Jaques Wagner teria atuado em defesa de interesses do Banco Master no Congresso Nacional e, em contrapartida, recebido vantagens indevidas.

Entre os elementos mencionados estão um apartamento de luxo em Salvador, avaliado em aproximadamente R$ 2,5 milhões, e supostos repasses destinados a empresas relacionadas a familiares do senador.

Essa parte das investigações não foi incluída na decisão de Mendonça que tornou públicos os demais procedimentos relacionados ao caso Master.

Crise no STF

As investigações sobre o Banco Master também estão no centro de uma crise institucional que envolveu ministros do Supremo Tribunal Federal e integrantes de outros órgãos.
Os desdobramentos passaram por decisões dos ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes e envolveram ainda o procurador-geral da República, Paulo Gonet, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e, posteriormente, o ministro Flávio Dino.

Antes mesmo da divulgação do relatório que desencadeou uma série de decisões relacionadas às investigações, já existiam divergências entre o gabinete de André Mendonça e a direção da Polícia Federal sobre a condução das apurações referentes ao Banco Master.

Mendonça é relator de procedimentos relacionados à instituição financeira e também do inquérito que investiga os repasses destinados à produção do filme sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro.

Em agosto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) havia orientado o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, a procurar André Mendonça para tratar da relação institucional entre a corporação e o gabinete responsável pela relatoria das investigações.

Fonte: G1

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