PF aponta movimentação de R$ 5,1 milhões em empresa de Ciro Nogueira sem funcionários por mais de dez anos

Relatório policial levanta suspeita de que conta da empresa tenha sido usada para movimentações de terceiros e menciona possível ocultação, burla ou sonegação fiscal; senador nega irregularidades

Senador Ciro Nogueira - Carolina Curi/Agência Senado


Uma empresa constituída pelo senador Ciro Nogueira, candidato à reeleição e investigado pela Polícia Federal no contexto das apurações relacionadas ao Banco Master, permaneceu por mais de uma década sem funcionários registrados e, ainda assim, movimentou R$ 5,1 milhões em um período de aproximadamente 12 meses.

De acordo com relatório da Polícia Federal, as movimentações ocorreram entre 10 de julho de 2020 e 5 de julho de 2021. O documento integra o conjunto de investigações cujo sigilo foi recentemente retirado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Na análise dos investigadores, existem indícios de que a conta bancária da empresa possa ter sido utilizada como instrumento de passagem de recursos vinculados a atividades de outras empresas.

A Polícia Federal registra no relatório a suspeita de que a estrutura empresarial tenha sido empregada “com possível intuito de ocultação, burla e ou sonegação fiscal”.

Outro ponto destacado pelos investigadores diz respeito ao endereço informado como sede da empresa no Piauí. Segundo o relatório, no local funciona uma concessionária de veículos que não possui relação conhecida com Ciro Nogueira.

As informações fazem parte de mais de quatro relatórios elaborados pela Polícia Federal sobre a movimentação financeira do senador e sobre possíveis benefícios que, segundo a investigação, estariam relacionados à atuação política de Ciro no Congresso Nacional em favor de interesses ligados ao Banco Master.

Entre os episódios examinados está a articulação em torno de uma emenda que ampliava o Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Em um dos documentos, os investigadores afirmam que Ciro Nogueira teria atuado em benefício de interesses particulares, em vez da representação dos interesses da coletividade ou de seu estado.

Segundo a Polícia Federal, essa atuação deve ser analisada em conjunto com as supostas vantagens indevidas que teriam sido recebidas no contexto das relações envolvendo Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

As conclusões apresentadas nos relatórios fazem parte de investigação em andamento e ainda estão sujeitas à análise das autoridades competentes, não representando condenação definitiva dos envolvidos.

Ciro Nogueira nega irregularidades

Após ser alvo de operação da Polícia Federal, Ciro Nogueira minimizou as acusações e afirmou que políticos, especialmente aqueles que exercem posições de destaque, frequentemente são submetidos a investigações.

“Acusações, todos os políticos em algum grau já sofreram, ainda mais o presidente de um grande partido, com muita influência, como é meu caso. Não serei o primeiro nem o último. Agora, comprovar é outra história”, declarou o senador, que preside o Progressistas (PP).

Ciro também afirmou já ter enfrentado outras investigações e disse confiar que as suspeitas não serão comprovadas.

“Passei por isso outras vezes. Para acusar, a criatividade é infinita; na hora de comprovar, não conseguiram nem conseguirão. Sei que, até lá, o dano à minha honra foi causado, mas tenho a consciência tranquila”, afirmou. 

Fonte: R7

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