Caso Master: PF cita seis ministros do STF em relatório sobre relações com Daniel Vorcaro

Levantamento reúne mensagens, documentos e referências a possíveis vínculos entre magistrados, familiares e o ex-banqueiro; informações serão apresentadas ao presidente do Supremo, Edson Fachin, nesta terça-feira (13)

Reprodução/STF Ministro do STF reunidos no plenário


A Polícia Federal (PF) identificou referências a pelo menos seis dos dez ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) no material recolhido durante as investigações envolvendo Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. As informações constam de um levantamento que deverá ser apresentado nesta terça-feira (13) ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin.

Segundo reportagem divulgada pelo SBT News nesta segunda-feira (12), os ministros mencionados são Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Kassio Nunes Marques, Luiz Fux, Gilmar Mendes e André Mendonça.

As referências aparecem de diferentes maneiras, incluindo mensagens, encontros, relações pessoais, contratos profissionais, viagens e operações financeiras envolvendo familiares ou pessoas próximas aos magistrados.

Os investigadores também localizaram menções a integrantes de outros tribunais superiores, entre eles o Superior Tribunal de Justiça (STJ).

É importante destacar que a presença dos nomes nos documentos não significa, por si só, que os ministros estejam formalmente sob investigação ou que tenham praticado irregularidades. As circunstâncias de cada caso são distintas e dependem de análise individualizada.

Polícia Federal apresentará informações a Fachin

A reunião prevista para esta terça-feira foi solicitada pela própria Polícia Federal, em atendimento a informações anteriormente requisitadas pelo presidente do Supremo.

O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, deverá apresentar a Fachin os dados reunidos pelos investigadores, incluindo registros de conversas, documentos e outros materiais apreendidos durante as operações relacionadas ao Banco Master.

A intenção é oferecer ao presidente da Corte uma visão abrangente das referências a magistrados encontradas nas investigações, permitindo a avaliação de possíveis providências institucionais e encaminhamentos às autoridades competentes.

O encontro ocorre em meio às repercussões das revelações sobre as relações mantidas por Vorcaro com integrantes do Judiciário, que provocaram questionamentos públicos e divergências internas no Supremo.

O que se sabe sobre os seis ministros mencionados

As informações divulgadas até o momento apontam situações diferentes para cada magistrado, que vão desde encontros reconhecidos publicamente até referências a contratos milionários e pagamentos envolvendo familiares.

Alexandre de Moraes

O ministro Alexandre de Moraes aparece relacionado a mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro. Segundo reportagens divulgadas anteriormente, o banqueiro teria procurado o magistrado pouco antes de sua primeira prisão, ocorrida em novembro de 2025.

Outro ponto que despertou questionamentos foi a existência de um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.

Também foram divulgadas informações sobre viagens realizadas por Moraes e sua esposa em aeronaves de empresas ligadas ao ex-banqueiro.

O ministro nega ter mantido as conversas que lhe foram atribuídas. O escritório de Viviane, por sua vez, afirma que as viagens ocorreram mediante contratação de serviços de táxi aéreo.

Dias Toffoli

Dias Toffoli deixou a relatoria das investigações do Banco Master depois que a Polícia Federal apresentou informações envolvendo movimentações financeiras relacionadas à empresa Maridt, pertencente à família do magistrado.

A empresa possuía participação no resort Tayayá, localizado no Paraná, e foi mencionada em operações envolvendo fundos ligados ao banco.

Também vieram a público informações sobre viagens realizadas pelo ministro em aeronave de uma empresa que tinha Daniel Vorcaro como sócio.

Toffoli sustenta que suas atividades empresariais ocorreram dentro da legalidade e nega qualquer irregularidade.

Kassio Nunes Marques

O nome de Kassio Nunes Marques surgiu em mensagens atribuídas a Vorcaro que mencionam pagamentos relacionados a Kevin Marques, filho do ministro.

Kevin confirmou ter recebido R$ 281,6 mil pela prestação de serviços jurídicos na área tributária, mas negou possuir vínculo profissional com o Banco Master.

Outras conversas analisadas pelos investigadores fazem referência ao pagamento de despesas e à disponibilização de hospedagem para um ministro identificado pelas iniciais "KN".

Entre os registros estão menções ao possível custeio de uma residência de luxo no Rio de Janeiro e a despesas de hotel supostamente relacionadas ao magistrado.

Kassio Nunes Marques nega ter recebido benefícios, solicitado vantagens ou mantido contato com Daniel Vorcaro.

Luiz Fux

O ministro Luiz Fux aparece em registros que indicariam proximidade entre Daniel Vorcaro e Rodrigo Fux, advogado e filho do magistrado.

Mensagens recuperadas pelos investigadores também fazem referência a despesas associadas a uma viagem do ministro a Nova York e à realização de um evento da revista Forbes em sua homenagem.

Segundo as informações divulgadas, empresas com relações comerciais com Vorcaro teriam participado do custeio de despesas relacionadas à ocasião.

Fux afirma que não possuía relação com o banqueiro e que participou do evento a convite da revista.

O escritório de Rodrigo Fux também nega ter prestado serviços profissionais ou recebido pagamentos de Daniel Vorcaro.

Gilmar Mendes

As referências a Gilmar Mendes aparecem principalmente em mensagens envolvendo pessoas que mantiveram relações pessoais ou profissionais com o ministro.

Uma delas é Francisco Feitosa, conhecido como Chiquinho, ex-cunhado do magistrado, que teria sido contratado por uma empresa investigada por suspeitas de realizar pagamentos relacionados a Vorcaro.

As conversas tratavam de interesses empresariais no setor educacional, incluindo a abertura de cursos de medicina, assunto que também esteve presente em processos relatados por Gilmar Mendes no STF.

Outra pessoa mencionada é a advogada Dalide Corrêa, ex-diretora-geral do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), instituição da qual o ministro é sócio.

Dalide teria recebido R$ 33 milhões do Banco Master e foi descrita como sócia do magistrado em uma mensagem atribuída a um executivo da instituição financeira.

Gilmar Mendes nega ter discutido interesses de Vorcaro com seu ex-cunhado e afirma que nunca manteve sociedade com a advogada.

André Mendonça

O ministro André Mendonça, que esteve à frente das investigações relacionadas ao Banco Master antes de alterações na relatoria, confirmou ter participado de um encontro com Daniel Vorcaro em março de 2025, na cidade de São Paulo.

De acordo com o magistrado, a reunião teve duração aproximada de 20 a 30 minutos e tratou de questões envolvendo precatórios relacionados ao banco.

Mensagens encontradas pela Polícia Federal também registram convites enviados ao empresário para participar de eventos promovidos pelo Instituto Iter, entidade fundada por Mendonça.

Até o momento, não existe confirmação de que Vorcaro tenha comparecido a esses encontros.

O ministro afirma que não houve irregularidades em sua atuação.

Relatório poderá orientar novos encaminhamentos no Supremo

A apresentação das informações ao presidente do STF ocorre em um momento de tensão institucional provocado pelos sucessivos desdobramentos das investigações sobre o Banco Master.

O material deverá permitir uma avaliação mais detalhada das referências encontradas e das circunstâncias em que os nomes dos magistrados aparecem nas provas reunidas pela Polícia Federal.

Entre as possibilidades está a elaboração de relatórios individualizados, caso seja considerada necessária uma análise específica de determinadas situações.

A eventual adoção de medidas investigativas dependerá da natureza das informações e das atribuições legais das autoridades responsáveis.

Em manifestação anterior, Edson Fachin defendeu que todos os fatos relevantes relacionados ao caso sejam rigorosamente apurados, sem exceções, observadas as competências e responsabilidades das instituições envolvidas.

A expectativa é que a reunião desta terça-feira contribua para definir os próximos encaminhamentos no âmbito do Supremo Tribunal Federal.

Apesar da repercussão das revelações, o levantamento não representa uma acusação formal contra os seis ministros citados. A identificação de possíveis irregularidades dependerá da análise das provas e de eventuais procedimentos conduzidos pelas autoridades competentes.

Fonte: IG

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