Presidente supera Flávio Bolsonaro no segundo turno das eleições de 2026, impulsionado por mobilizações nas ruas e nas redes sociais, e amplia seu recorde de vitórias nas disputas pelo Palácio do Planalto
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| Lula fala após a reeleição — Foto: Amanda Perobelli/Reuters |
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de 80 anos, foi reeleito neste domingo (25) para um quarto mandato à frente da Presidência da República. A vitória sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) representa um resultado inédito na história das eleições presidenciais brasileiras, com a reversão da vantagem conquistada pelo adversário no primeiro turno.
De acordo com os dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula encerrou a apuração com aproximadamente 64,2 milhões de votos, correspondentes a 51,78% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro recebeu cerca de 59,8 milhões de votos, ou 48,22%.
O presidente foi considerado matematicamente reeleito às 21h08, quando 97,69% da apuração estava concluída. Com a vitória, Lula se torna o primeiro político brasileiro a conquistar quatro eleições diretas para a Presidência da República.
A disputa foi marcada por uma reação do candidato petista após o primeiro turno, realizado em 4 de outubro. Na ocasião, Flávio Bolsonaro havia terminado na liderança, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula.
Durante a contagem dos votos deste domingo, os dois candidatos também alternaram posições. Após iniciar a apuração na liderança, Lula foi ultrapassado pelo adversário, mas recuperou a primeira colocação e consolidou a vitória.
A posse para o novo mandato está prevista para 5 de janeiro de 2027.
Mobilização nas redes sociais e nas ruas marcou a reação de Lula
A campanha de Lula ganhou intensidade nas últimas semanas, especialmente com a ampliação da presença nas plataformas digitais e a realização de manifestações públicas em diferentes regiões do país.
Nas redes sociais, o presidente passou a adotar uma comunicação mais direta e informal, com vídeos gravados em formato de selfie e mensagens direcionadas aos eleitores. A estratégia buscou aproximar o candidato do público e ampliar a circulação dos conteúdos de campanha.
Um dos principais responsáveis pela mobilização digital foi o deputado federal André Janones (Rede-MG), que participou da organização do movimento denominado "Exército de Lula", no WhatsApp.
A iniciativa, que, segundo informações divulgadas pela Agência Brasil, reuniu mais de 10 milhões de participantes, teve como objetivo intensificar a divulgação de conteúdos favoráveis à candidatura petista e ampliar o engajamento de apoiadores nas plataformas digitais.
Paralelamente, manifestações de apoio à reeleição foram realizadas em dezenas de cidades brasileiras. Os atos reuniram movimentos sociais, organizações estudantis, lideranças políticas e cidadãos que participaram de mobilizações em ruas e espaços públicos.
As manifestações, frequentemente marcadas pela presença de bandeiras e vestimentas vermelhas, tornaram-se um dos símbolos da reta final da campanha.
A combinação entre a mobilização presencial e a atuação nas redes sociais marcou a estratégia eleitoral que acompanhou a recuperação de Lula nas pesquisas e culminou na vitória no segundo turno.
Propostas para o quarto mandato
Durante a campanha, Lula apresentou um programa de governo centrado na continuidade e na ampliação de políticas públicas implementadas ao longo de sua atual gestão, além de novos compromissos nas áreas econômica, social, educacional e de segurança pública.
Entre as principais propostas está a manutenção da política de valorização do salário mínimo, com reajustes superiores à inflação, buscando assegurar ganhos reais ao poder de compra dos trabalhadores.
Na segurança pública, o presidente defendeu a criação de um ministério específico para o setor, com o objetivo de fortalecer a participação do governo federal no planejamento e na execução de políticas de combate à criminalidade.
A proposta busca ampliar a articulação entre a União, os estados e os demais órgãos responsáveis pela segurança, área cuja execução operacional é predominantemente estadual.
Na saúde, uma das promessas de campanha foi a implantação de uma ampla rede pública de atendimento oncológico, apresentada pelo candidato como uma iniciativa destinada a construir a maior estrutura pública de cuidado ao câncer do mundo.
O projeto contempla investimentos na expansão dos serviços de diagnóstico, na modernização de equipamentos, na utilização de novas tecnologias e na ampliação do acesso a medicamentos para tratamentos quimioterápicos e imunoterápicos.
Na educação, Lula prometeu ampliar o alcance do Programa Pé-de-Meia, criado em 2024 para incentivar financeiramente estudantes de baixa renda matriculados no ensino médio público a permanecerem na escola e concluírem essa etapa de formação.
Uma das propostas apresentadas foi a criação de uma modalidade voltada ao ensino superior, denominada Pé-de-Meia Universitário, destinada a apoiar a permanência de estudantes nas universidades.
Economia, indústria e relações internacionais
Na política econômica, Lula defendeu o fortalecimento da indústria nacional, a ampliação dos investimentos produtivos e a busca por novos mercados para os produtos brasileiros.
A agenda internacional também ocupou espaço na campanha, especialmente diante das disputas comerciais provocadas pela política de elevação de tarifas de importação adotada pelo governo do presidente norte-americano Donald Trump.
O presidente reafirmou a defesa da soberania brasileira e de uma política externa baseada no diálogo diplomático, na diversificação das parcerias comerciais e na manutenção de relações com diferentes países, independentemente de seus alinhamentos políticos.
A proposta econômica inclui o fortalecimento da capacidade produtiva nacional, a ampliação das exportações e a busca por oportunidades de desenvolvimento industrial e geração de empregos.
Da liderança sindical à Presidência da República
Nascido em 27 de outubro de 1945, em Garanhuns, no interior de Pernambuco, Luiz Inácio Lula da Silva construiu uma trajetória política que começou no movimento sindical brasileiro.
Ainda criança, mudou-se com a família para São Paulo. Posteriormente, formou-se torneiro mecânico pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e passou a trabalhar na indústria metalúrgica.
Sua projeção nacional ocorreu durante a década de 1970, quando se destacou como liderança sindical na região do ABC Paulista, especialmente nas mobilizações de trabalhadores por melhores salários e condições de trabalho.
Entre 1975 e 1980, presidiu o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, tornando-se uma das principais figuras do movimento sindical durante o período da ditadura militar.
Em 1980, participou da fundação do Partido dos Trabalhadores (PT), legenda pela qual desenvolveria toda a sua trajetória presidencial.
Lula também participou das mobilizações pela redemocratização do país, incluindo a campanha das Diretas Já, e foi eleito deputado federal constituinte em 1986.
Após disputar a Presidência da República em 1989, 1994 e 1998, conquistou sua primeira vitória em 2002. Reeleito em 2006, governou o Brasil durante dois mandatos consecutivos, entre janeiro de 2003 e dezembro de 2010.
Suas primeiras administrações foram marcadas pela expansão de programas sociais e iniciativas voltadas à redução da pobreza, ao combate à fome e à ampliação do acesso à educação superior.
Entre as políticas associadas aos seus governos estão o Bolsa Família, o Programa Universidade para Todos (Prouni), o Minha Casa Minha Vida, o Luz para Todos e o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
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| Foto: Bruno Peres/ Agência Brasil |
Prisão, retorno político e recorde eleitoral
A trajetória de Lula também foi marcada por investigações e processos judiciais relacionados à Operação Lava Jato.
Em abril de 2018, o então ex-presidente foi preso após condenação por corrupção e lavagem de dinheiro. Ele permaneceu detido durante 580 dias, até novembro de 2019.
Em 2021, o Supremo Tribunal Federal anulou as condenações impostas ao petista nos processos julgados pela Justiça Federal de Curitiba, restabelecendo seus direitos políticos e permitindo sua participação nas eleições presidenciais seguintes.
Em 2022, Lula retornou ao Palácio do Planalto ao derrotar o então presidente Jair Bolsonaro (PL), tornando-se o primeiro brasileiro a vencer três eleições presidenciais pelo voto direto.
Agora, com a vitória sobre Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente, amplia o próprio recorde e conquista uma quarta eleição presidencial.
A reeleição também garante a continuidade do presidente no comando do Executivo federal até janeiro de 2031, quando estará com 85 anos.
Ao longo de sua carreira, Lula consolidou-se como uma das principais lideranças da esquerda brasileira, com projeção internacional e atuação política associada à defesa de direitos trabalhistas, políticas sociais e participação do Estado no desenvolvimento econômico.
Durante a campanha de 2026, o presidente afirmou que, caso conquistasse a reeleição, o quarto mandato seria o último de sua trajetória à frente da Presidência da República.
Com o resultado deste domingo, Lula inicia uma nova etapa de sua carreira política, tendo pela frente o desafio de cumprir os compromissos apresentados na campanha, administrar as relações com o Congresso Nacional e conduzir o país em um cenário de divergências políticas, demandas sociais e desafios econômicos.
Fonte: Agência Brasil

