![]() |
| Foto: Reprodução/Flickr/White House |
As tarifas comerciais impostas pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, provocaram impactos significativos nas exportações do Piauí. Segundo levantamento divulgado nesta segunda-feira (19) pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), as vendas de produtos piauienses ao mercado norte-americano recuaram 45,6%, representando uma perda financeira estimada em R$ 110,2 milhões no período de 12 meses.
O estudo aponta que o mel, um dos produtos de destaque na pauta de exportações do estado, foi o principal prejudicado pelas medidas tarifárias. A retração atinge especialmente a atividade apícola, que possui importância econômica para municípios do interior piauiense.
Para dimensionar os efeitos do tarifaço, a CNM comparou os resultados comerciais de dois períodos consecutivos. Entre agosto de 2024 e julho de 2025, antes da aplicação das sobretaxas, o Piauí comercializou US$ 38,8 milhões em mercadorias com os Estados Unidos. Já entre agosto de 2025 e julho de 2026, esse montante diminuiu para US$ 21,1 milhões.
A diferença representa uma redução de US$ 17,7 milhões nas receitas provenientes das exportações destinadas ao mercado norte-americano.
Embora identifique o mel como o produto mais afetado no estado, o levantamento não apresenta o valor específico das perdas registradas pelo setor apícola.
Maioria dos municípios exportadores do Piauí sofreu redução nas vendas
Os efeitos das barreiras comerciais também aparecem na distribuição das exportações entre os municípios piauienses.
Dos 224 municípios do Piauí, somente 13 realizaram exportações para os Estados Unidos durante o período analisado, o equivalente a aproximadamente 6% das cidades do estado.
Entre esses municípios exportadores, 62% registraram diminuição no valor das mercadorias comercializadas com os norte-americanos. Os outros 38% conseguiram aumentar suas vendas, apesar das novas condições impostas ao comércio bilateral.
Em números absolutos, aproximadamente oito municípios piauienses tiveram redução nas receitas provenientes desse mercado, enquanto cinco apresentaram crescimento.
O estudo divulgado pela CNM, entretanto, não especifica quais cidades sofreram os maiores prejuízos nem apresenta uma classificação individual das perdas municipais no Piauí.
Prejuízos atingem mais de mil municípios brasileiros
No cenário nacional, os efeitos do tarifaço alcançaram uma parcela expressiva dos municípios que mantinham relações comerciais com os Estados Unidos.
Segundo a CNM, 1.135 cidades brasileiras foram afetadas negativamente pelas medidas, acumulando perdas que somam R$ 66,8 bilhões nas exportações destinadas ao mercado norte-americano.
Desse conjunto, 271 municípios interromperam completamente suas vendas para os Estados Unidos. Antes da imposição das tarifas, essas localidades movimentavam aproximadamente R$ 588 milhões em exportações.
Outros 864 municípios continuaram comercializando com o país, mas enfrentaram uma retração média de 30% no valor exportado.
O levantamento também revela dificuldades para substituir o mercado norte-americano por compradores de outras nacionalidades.
De acordo com os dados, 657 municípios, correspondentes a 58% das localidades prejudicadas, registraram diminuição nas exportações totais. Isso indica que essas cidades não conseguiram compensar integralmente a perda de receitas com os Estados Unidos por meio da ampliação das vendas para outros países.
![]() |
| Foto: Reprodução/Flickr/White House |
Exportações brasileiras para os Estados Unidos caem 16,2%
Considerando o desempenho geral do comércio entre Brasil e Estados Unidos, as exportações brasileiras diminuíram de US$ 41,5 bilhões para US$ 34,8 bilhões entre os dois períodos analisados.
A retração foi de 16,2% em dólares. Quando considerados os valores em moeda brasileira e as oscilações cambiais, a redução correspondeu a aproximadamente R$ 55 bilhões.
Outro indicador que demonstra a mudança no comércio exterior brasileiro é a participação dos Estados Unidos como destino das exportações nacionais.
Antes das sobretaxas, o mercado norte-americano respondia por 12,3% do valor total das mercadorias exportadas pelo Brasil. Após a aplicação das medidas, essa participação caiu para 9,4%.
A redução também ocorreu no volume físico dos produtos comercializados. Segundo o levantamento, a quantidade de mercadorias enviadas aos Estados Unidos diminuiu 17,9%, o equivalente a aproximadamente 7,3 milhões de toneladas.
Entre os segmentos econômicos brasileiros mais prejudicados estão os setores de petróleo, café, suco de laranja, ferro-gusa e produtos da silvicultura.
A pesquisa identificou ainda que os municípios de pequeno porte enfrentaram os impactos proporcionalmente mais elevados, registrando queda de 22,9% nas exportações.
CNM defende diversificação comercial para reduzir dependência dos Estados Unidos
Diante dos resultados, o presidente da Confederação Nacional de Municípios, Paulo Ziulkoski, destacou a importância de ampliar as relações comerciais internacionais e diminuir a dependência econômica de mercados específicos.
Na avaliação do dirigente, medidas protecionistas e conflitos comerciais podem produzir consequências prolongadas para as economias municipais, comprometendo receitas e atividades produtivas ligadas às exportações.
Ziulkoski ressaltou que a diversificação dos destinos comerciais e o fortalecimento do mercado interno são estratégias fundamentais para diminuir a vulnerabilidade dos municípios diante das mudanças na economia internacional.
“O protecionismo, as barreiras sanitárias e as tensões geopolíticas globais tendem a gerar efeitos duradouros. Para proteger a arrecadação e garantir a manutenção dos empregos locais, é necessário reduzir a dependência de um único comprador, fortalecendo a diversificação produtiva e comercial no mercado interno e com novos parceiros internacionais”, afirmou.
O presidente da entidade também defendeu que os municípios desenvolvam maior capacidade de enfrentar as incertezas provocadas pelas disputas comerciais entre países.
Levantamento compara períodos anteriores e posteriores ao tarifaço
A pesquisa da Confederação Nacional de Municípios foi elaborada com informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
A análise considera os 12 meses anteriores e os 12 meses posteriores ao início da aplicação das sobretaxas norte-americanas, em agosto de 2025.
No caso do Piauí, os números evidenciam a vulnerabilidade das atividades exportadoras diante das restrições comerciais internacionais, especialmente quando parte significativa das vendas está concentrada em determinados produtos e mercados compradores.
A redução de R$ 110,2 milhões nas exportações piauienses para os Estados Unidos reforça, segundo a avaliação da CNM, a necessidade de buscar novos parceiros comerciais e fortalecer a competitividade dos produtos brasileiros no exterior.
Fonte: Cidade Verde
