Apenas 34 deputados se elegeram com votos próprios; Georgiano Neto é um deles

Com 234.254 votos, Georgiano Neto (PSD) foi o deputado federal mais votado do Piauí e o único entre os dez eleitos pelo estado a superar individualmente o quociente eleitoral. Em todo o Brasil, 93,4% dos parlamentares dependeram da votação coletiva de partidos e federações

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Dos 513 deputados federais eleitos nas eleições de 4 de outubro de 2026, apenas 34 conseguiram alcançar individualmente a quantidade de votos equivalente a uma cadeira na Câmara dos Deputados. Os outros 479 parlamentares, que representam 93,4% dos eleitos, receberam votações inferiores ao quociente eleitoral de seus respectivos estados e dependeram do desempenho coletivo de partidos, federações e outros candidatos para conquistar seus mandatos.

No Piauí, o destaque foi o deputado federal eleito Georgiano Neto (PSD), que recebeu 234.254 votos e se tornou o único representante do estado a alcançar o quociente eleitoral exclusivamente com sua votação individual. O parlamentar também liderou a votação para a Câmara Federal no estado, conquistando 11,08% dos votos válidos.

Os dados fazem parte de levantamentos realizados pelo portal Congresso em Foco e pelo HubPolítico, com base nos resultados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os números evidenciam uma das principais características do sistema proporcional brasileiro: a votação individual de um candidato não determina, isoladamente, sua eleição.

Em comparação com as eleições de 2022, houve um pequeno crescimento na quantidade de candidatos que atingiram o quociente eleitoral com os próprios votos. Naquele pleito, 28 deputados conseguiram alcançar a marca, o equivalente a 5,5% da Câmara. Em 2026, o número subiu para 34 parlamentares, correspondendo a 6,6% das 513 cadeiras.

Apesar do aumento, a grande maioria dos deputados que assumirão seus mandatos em fevereiro de 2027 continuará sendo formada por candidatos que não alcançaram individualmente o quociente eleitoral, mas conquistaram vagas por meio do desempenho coletivo de suas legendas.

Georgiano Neto foi o único deputado federal eleito pelo Piauí com votos próprios suficientes para uma cadeira

Entre os dez deputados federais eleitos pelo Piauí, Georgiano Fernandes Lima Neto, conhecido politicamente como Georgiano Neto, foi o único que conseguiu ultrapassar individualmente o quociente eleitoral.

Nas eleições de 2026, o Piauí registrou 2.109.063 votos válidos para deputado federal. Como o estado possui dez cadeiras na Câmara dos Deputados, o quociente eleitoral ficou estabelecido em 210.906 votos.

Georgiano Neto recebeu 234.254 votos, superando essa marca em 23.348 votos. Sua votação correspondeu a aproximadamente 111,1% do quociente eleitoral, resultado suficiente para atingir, individualmente, o número de votos equivalente a uma cadeira.

Além de ultrapassar o quociente, Georgiano foi o candidato a deputado federal mais votado do estado, superando os demais concorrentes eleitos e garantindo uma posição entre os 34 parlamentares brasileiros que alcançaram esse patamar com os próprios votos.

O segundo candidato mais votado no Piauí foi Delegado Charles (PV), que recebeu 184.763 votos, ficando 26.143 votos abaixo do quociente eleitoral estadual.

Na terceira colocação apareceu Castro Neto (MDB), com 168.080 votos. Em seguida vieram Zé Santana (PT), com 132.210 votos; Dr. Francisco (PT), com 124.515; e Jadyel Alencar (Republicanos), com 123.893 votos.

Também foram eleitos Júlio Arcoverde (PP), com 101.799 votos; Marcos Aurélio (MDB), com 98.097; Flávio Nogueira (PT), com 97.584; e Wilson Martins (PSD), com 82.543 votos.

Todos esses nove parlamentares receberam votações individuais inferiores ao quociente eleitoral e conquistaram seus mandatos por meio das regras de distribuição das cadeiras entre partidos e federações.

Votação de Georgiano Neto também contribuiu para o desempenho do PSD

Além de assegurar uma votação nominal superior ao quociente eleitoral, o desempenho de Georgiano Neto também contribuiu para o resultado coletivo do Partido Social Democrático (PSD) no Piauí.

Isso ocorre porque, no sistema proporcional, os votos recebidos individualmente pelos candidatos são somados aos demais votos destinados à legenda, influenciando a quantidade de cadeiras que o partido poderá conquistar.

Nas eleições de 2026, o PSD garantiu duas das dez vagas destinadas ao Piauí na Câmara dos Deputados. Além de Georgiano Neto, o partido conseguiu eleger Wilson Martins, que recebeu 82.543 votos.

Enquanto Georgiano foi eleito por meio do quociente partidário, Wilson Martins conquistou sua cadeira na distribuição das sobras eleitorais, pelo cálculo das maiores médias.

Embora não seja possível atribuir a eleição de outro candidato exclusivamente aos votos de Georgiano, sua votação representou uma parcela importante do desempenho do PSD e contribuiu para o resultado geral da legenda.

O caso demonstra como uma candidatura com votação expressiva pode exercer influência sobre a composição da bancada de seu partido, ampliando o peso dos votos individuais na distribuição proporcional dos mandatos.

Piauí distribuiu quatro cadeiras por meio das sobras eleitorais

No Piauí, das dez cadeiras disponíveis para deputado federal, seis foram preenchidas diretamente pelo quociente partidário, enquanto outras quatro foram distribuídas pelo sistema de médias, conhecido como sobras eleitorais.

Nesse processo, candidatos com votações inferiores ao quociente eleitoral conseguiram conquistar seus mandatos em razão do desempenho de suas respectivas legendas.

Um exemplo foi a eleição de Wilson Martins (PSD), que recebeu 82.543 votos, a menor votação entre os deputados federais eleitos pelo estado.

Em contrapartida, Átila Lira (PP) recebeu 85.351 votos, quantidade superior à votação de Wilson Martins, mas não conseguiu garantir uma cadeira.

A diferença se explica pelas regras do sistema proporcional, que consideram inicialmente a votação coletiva dos partidos e federações, e não apenas a classificação individual dos candidatos mais votados.

Outro dado relevante é que nove listas partidárias terminaram as eleições no Piauí sem conquistar representação na Câmara, apesar de terem recebido, juntas, 83.877 votos, equivalentes a aproximadamente 4% dos votos válidos.

Entenda como funciona o quociente eleitoral

Diferentemente das eleições para presidente da República, governadores e senadores, nas quais prevalece o sistema majoritário, a escolha dos deputados federais ocorre pelo sistema proporcional.

Nesse modelo, os votos recebidos pelos candidatos também são contabilizados para seus respectivos partidos ou federações. A quantidade de cadeiras conquistadas por cada agrupamento político depende, inicialmente, da soma dos votos nominais e dos votos de legenda.

O primeiro passo da apuração consiste na definição do quociente eleitoral (QE), obtido pela divisão do total de votos válidos pelo número de vagas disponíveis para deputado federal em cada unidade da Federação.

Em seguida, calcula-se o quociente partidário (QP), que corresponde à divisão dos votos recebidos por cada partido ou federação pelo quociente eleitoral. O resultado, desprezada a parte fracionária, determina quantas cadeiras a legenda conquista inicialmente.

Essas vagas são preenchidas pelos candidatos mais votados dentro de cada partido ou federação, observada a exigência individual de votação mínima equivalente a 10% do quociente eleitoral nessa etapa da distribuição.

Entretanto, nem todas as cadeiras são necessariamente preenchidas pelo quociente partidário. As vagas restantes, conhecidas como sobras eleitorais, são distribuídas mediante o cálculo das maiores médias.

Na etapa inicial das sobras, participam os partidos ou federações que alcançaram pelo menos 80% do quociente eleitoral e possuem candidatos com votação individual equivalente a, no mínimo, 20% desse quociente.

Caso ainda existam vagas, ocorre uma etapa complementar de distribuição, sem a aplicação dessas cláusulas de desempenho, conforme as regras estabelecidas pela Justiça Eleitoral.

Dessa forma, um candidato pode conquistar um mandato mesmo tendo recebido menos votos do que concorrentes de outros partidos que não conseguiram se eleger.

Apenas 34 deputados conseguiram ultrapassar o quociente eleitoral individualmente


O levantamento nacional considera como deputados eleitos com votos próprios suficientes aqueles que receberam votação nominal igual ou superior ao quociente eleitoral de seus respectivos estados.

Em 2026, esse quociente variou significativamente entre as unidades da Federação, passando de 338.203 votos em São Paulo para 39.853 votos em Roraima.

Essa diferença ocorre porque o número de cadeiras disponíveis e a quantidade de votos válidos variam entre os estados.

Assim, a votação necessária para alcançar individualmente o quociente eleitoral em São Paulo é consideravelmente maior do que a exigida em estados com eleitorados menores.

É importante destacar que os 34 parlamentares não foram eleitos fora do sistema proporcional. Todos conquistaram seus mandatos dentro das regras de distribuição de vagas entre partidos e federações.

O levantamento apenas demonstra que esses candidatos alcançaram, individualmente, votação suficiente para corresponder a pelo menos uma cadeira em seus respectivos estados.

Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato registraram as maiores votações do país

Entre os deputados que ultrapassaram individualmente o quociente eleitoral, os maiores destaques nacionais foram Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato (PL-SP).

Nikolas Ferreira recebeu 3.119.318 votos em Minas Gerais, onde o quociente eleitoral foi de 214.720 votos. Sua votação correspondeu a aproximadamente 14,5 vezes o número necessário para atingir o quociente estadual.

O desempenho também contribuiu para ampliar a quantidade de cadeiras conquistadas pelo Partido Liberal em Minas Gerais, favorecendo a eleição de outros nove candidatos da legenda.

Em São Paulo, Lucas Pavanato conquistou 3.038.438 votos, enquanto o quociente eleitoral paulista ficou estabelecido em 338.203 votos.

O resultado equivale a quase nove vezes o quociente eleitoral do estado. Sua votação também contribuiu para a conquista de outras seis cadeiras pelo PL paulista.

Os dois candidatos, juntos, receberam mais de 6,1 milhões de votos e contribuíram para a eleição de outros 15 deputados federais de suas respectivas listas partidárias.

Entretanto, nem todos os parlamentares que alcançaram o quociente eleitoral tiveram votações muito superiores ao mínimo necessário.

Em Minas Gerais, Reginaldo Lopes (PT) recebeu 215.192 votos, apenas 472 acima do quociente estadual.

No Rio de Janeiro, Rick Azevedo (PSOL) conquistou 191.371 votos, superando em somente 1.289 votos o quociente eleitoral fluminense, estabelecido em 190.082.

Os exemplos demonstram as diferenças entre candidatos que atingiram individualmente a quantidade de votos correspondente a uma cadeira.

PL concentra o maior número de deputados com votação própria suficiente

O Partido Liberal (PL) reúne a maior quantidade de parlamentares que conseguiram alcançar o quociente eleitoral individualmente.

Dos 34 deputados nessa condição, 12 pertencem ao PL, enquanto o PSOL aparece em seguida, com sete representantes.

O PSB e o MDB contam com três deputados cada. Novo e PT possuem dois parlamentares cada um. Missão, Avante, PSD, Podemos e PP aparecem com um representante por legenda.

Na distribuição geográfica, São Paulo concentra o maior número de deputados nessa situação, com seis parlamentares.

Além de Lucas Pavanato, também ultrapassaram o quociente eleitoral paulista Erika Hilton (PSOL), Sâmia Bomfim (PSOL), Kim Kataguiri (Missão), Tabata Amaral (PSB) e Renato Bolsonaro (PL).

O Rio Grande do Sul aparece em seguida, com cinco deputados, enquanto Minas Gerais possui quatro. Ceará e Paraná registraram três parlamentares cada.

Pará, Pernambuco e Rio de Janeiro tiveram dois deputados cada um. Bahia, Distrito Federal, Espírito Santo, Paraíba, Piauí, Rondônia e Santa Catarina registraram um parlamentar nessa condição.

No caso do Piauí, esse representante foi Georgiano Neto, do PSD, que alcançou 234.254 votos e se tornou o único entre os dez deputados eleitos pelo estado a superar individualmente o quociente eleitoral.

Por outro lado, em 12 estados brasileiros nenhum dos deputados federais eleitos conseguiu alcançar individualmente o quociente eleitoral.

São eles: Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Norte, Roraima, Sergipe e Tocantins.

Nessas unidades da Federação, todos os deputados eleitos receberam individualmente menos votos que o quociente eleitoral estadual.

Quase 200 candidatos receberam mais votos que deputados eleitos, mas ficaram de fora

Uma das consequências do sistema proporcional é a possibilidade de candidatos com votações expressivas não conquistarem mandatos, enquanto concorrentes menos votados conseguem se eleger.

De acordo com levantamentos sobre o resultado das eleições de 2026, 196 candidatos a deputado federal receberam mais votos do que pelo menos um dos parlamentares eleitos em seus respectivos estados, mas não conquistaram uma cadeira na Câmara.

Isso acontece porque a votação individual, embora importante, não assegura o mandato quando o partido ou a federação não consegue obter vagas suficientes para contemplar o candidato.

Um dos exemplos ocorreu em São Paulo, onde Rui Falcão (PT) recebeu 106.443 votos, superando a votação individual de 22 candidatos eleitos no estado.

Apesar disso, ele ficou de fora porque a federação da qual participa não conquistou cadeiras suficientes para incluí-lo entre seus representantes.

Em contrapartida, Edinho Araújo (PRD-SP) conseguiu se eleger com 54.443 votos, quantidade equivalente a aproximadamente 16% do quociente eleitoral paulista.

Essas diferenças decorrem das regras de distribuição proporcional das cadeiras e não representam, por si só, irregularidades na apuração eleitoral.

Votos destinados a partidos sem representação também chamam atenção

Outro aspecto identificado nos levantamentos diz respeito aos votos destinados a partidos ou federações que não conseguiram conquistar nenhuma cadeira.

Em Rondônia, por exemplo, 25,2% dos votos válidos para deputado federal foram destinados a listas partidárias que terminaram a eleição sem representação na Câmara.

No Distrito Federal, essa proporção chegou a 19,6%. Em Roraima, o percentual foi de 17,9%, enquanto no Maranhão alcançou 17,2%.

Em São Paulo, por outro lado, apenas 1,7% dos votos válidos foram destinados a partidos ou federações que não conquistaram cadeiras.

No Piauí, o percentual foi de 4%, correspondendo a 83.877 votos distribuídos entre nove listas partidárias que não conseguiram eleger representantes.

Embora esses votos tenham participado da apuração e da definição do desempenho das respectivas legendas, eles não resultaram diretamente na conquista de mandatos para esses agrupamentos políticos.

Resultado reacende discussão sobre mudanças no sistema eleitoral

A diferença entre a votação individual dos candidatos e a distribuição efetiva das cadeiras integra o debate sobre possíveis mudanças nas regras eleitorais brasileiras.

Defensores do modelo proporcional argumentam que o sistema permite maior representação de diferentes correntes políticas, já que a composição da Câmara considera o conjunto dos votos recebidos por partidos e federações.

Nesse entendimento, a eleição de deputados não deve refletir apenas o desempenho individual dos candidatos, mas também a representatividade das organizações políticas perante o eleitorado.

Por outro lado, críticos do sistema apontam dificuldades para o eleitor compreender como seu voto pode contribuir para a eleição de candidatos diferentes daquele escolhido na urna.

Uma das alternativas discutidas no Congresso Nacional é a adoção do sistema distrital misto, que combina a eleição de representantes por distritos com a distribuição proporcional de vagas entre partidos.

Nesse modelo, parte dos deputados seria escolhida diretamente pelos eleitores de determinadas regiões, enquanto outra parcela das cadeiras seria distribuída de acordo com a votação partidária.

A proposta envolve mudanças constitucionais e continua sendo objeto de discussões entre lideranças políticas.

Votação de Georgiano Neto exemplifica o peso individual e coletivo dos votos

Os resultados de 2026 reforçam a importância de compreender o funcionamento do sistema proporcional antes de escolher um candidato a deputado federal.

Ao votar em determinado concorrente, o eleitor não contribui apenas para a votação individual daquela pessoa. O voto também é contabilizado para o partido ou federação ao qual o candidato pertence.

Assim, uma votação expressiva pode contribuir para a eleição de outros integrantes da mesma lista partidária, mesmo que esses candidatos tenham recebido quantidades significativamente menores de votos.

Da mesma maneira, um candidato com votação individual elevada pode não conquistar uma cadeira caso sua legenda não obtenha desempenho suficiente para garantir o mandato.

No Piauí, o resultado de Georgiano Neto representa uma situação diferenciada: além de liderar a votação estadual, o parlamentar conseguiu ultrapassar sozinho o número de votos correspondente a uma das dez cadeiras destinadas ao estado na Câmara Federal.

Ao mesmo tempo, sua votação foi contabilizada para o desempenho coletivo do PSD, partido que conquistou duas cadeiras na representação federal piauiense.

O caso ilustra as duas dimensões do sistema proporcional: a força eleitoral individual dos candidatos e a importância da votação coletiva dos partidos na distribuição dos mandatos.

A análise considera os resultados oficiais das eleições de 4 de outubro de 2026, divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral, e os levantamentos realizados pelo Congresso em Foco e pelo HubPolítico, além das regras de distribuição das vagas apresentadas pela Justiça Eleitoral e pela Câmara dos Deputados.

Com informações do Ranking dos Políticos 

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