Investigação aponta que Layla Lima Ayub mantinha relação com faccionados e atuava como advogada de integrantes do crime organizado mesmo após assumir cargo na Polícia Civil
![]() |
| Reprodução/Instagram Layla Lima Ayub é advogada especialista em Direito Penal e Processo Penal e ex-policial militar do Espírito Santo |
Uma delegada recém-empossada da Polícia Civil de São Paulo foi presa na manhã desta sexta-feira (16) sob suspeita de envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Trata-se de Layla Lima Ayub, que havia tomado posse no cargo há menos de um mês e agora é investigada por suposta participação em organização criminosa e lavagem de dinheiro.
De acordo com as apurações conduzidas pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), Layla mantinha vínculos pessoais e profissionais com integrantes da facção criminosa. As investigações indicam que, mesmo após a posse como delegada, ela continuou atuando como advogada em audiências de custódia em defesa de membros do PCC presos em flagrante.
Layla Lima Ayub tomou posse oficialmente no dia 19 de dezembro de 2025, durante cerimônia realizada no Palácio dos Bandeirantes, que marcou a nomeação de mais de 500 novos delegados — a maior posse coletiva da história da Polícia Civil paulista.
Segundo o MPSP, a delegada mantém relacionamento com Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido como “Dedel”, apontado pelas autoridades como uma das lideranças do PCC nos esquemas de tráfico de drogas e armas com atuação no estado de Roraima. Nas redes sociais, Jardel se apresenta como cantor, mas, de acordo com as investigações, teria papel estratégico dentro da organização criminosa.
A Justiça decretou a prisão preventiva de Layla e de Jardel a pedido do Ministério Público. Além das prisões, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo e do Pará, com o objetivo de recolher documentos, dispositivos eletrônicos e outros materiais que possam reforçar as provas já reunidas.
A ação faz parte da Operação Serpens, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do MPSP, em conjunto com a Corregedoria-Geral da Polícia Civil de São Paulo e o GAECO do Ministério Público do Pará. A operação busca desarticular um núcleo criminoso que, segundo os investigadores, contava com a colaboração de agentes com acesso a informações sensíveis do sistema de Justiça.
Quem é Layla Lima Ayub
Conforme informações disponíveis em seu currículo na Plataforma Lattes, Layla Lima Ayub é formada em Direito pela Faculdade do Espírito Santo e possui diversas especializações, entre elas Direito Penal, Direito Constitucional, Direito Processual Penal, Ciência Forense, Perícia Criminal, Gestão e Docência no Ensino Superior.
![]() |
| Arquivo pessoal Delegada Layla Ayub |
Antes de assumir o cargo de delegada, Layla atuou como policial militar no Espírito Santo e também passou pela Defensoria Pública do estado, onde trabalhou como estagiária. Sua trajetória acadêmica e profissional, que aparentava solidez na área da segurança pública, contrasta com as suspeitas que agora recaem sobre sua conduta.
O caso segue sob investigação, e os órgãos de controle interno e o Ministério Público afirmam que novas fases da operação não estão descartadas. A Polícia Civil informou que acompanha o caso e que eventuais responsabilidades administrativas serão apuradas paralelamente ao processo criminal.
Fonte: IG

