Apuração indica aporte milionário em empreendimento no Paraná enquanto magistrado relata inquérito sobre o Banco Master
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| O ministro Dias Toffoli, do STF. (Foto: José Cruz/Agência Brasil) |
O cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel, alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, participou diretamente de investimentos que adquiriram parte da participação da família do ministro Dias Toffoli em um resort no interior do Paraná. Documentos financeiros obtidos pelo Estadão e divulgados nesta sexta-feira (16) apontam que a fatia comprada dos irmãos do ministro no Tayayá foi avaliada em R$ 6,6 milhões.
Registros analisados pela reportagem indicam que Zettel foi o único cotista, entre 2021 e 2025, do fundo de investimentos Leal, estrutura utilizada para viabilizar o aporte no empreendimento. Por meio desse fundo e de outro veículo, ambos administrados pela Reag Investimentos, corretora liquidada pelo Banco Central na véspera, cerca de R$ 20 milhões foram injetados no resort, que à época tinha como principais acionistas familiares de Toffoli.
Procurados, o ministro, seus irmãos José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli, a administração do Tayayá e a Reag não se manifestaram. Zettel confirmou ter sido cotista do fundo, afirmou que deixou o investimento em 2022 e disse que o veículo foi liquidado em 2025. A defesa de Daniel Vorcaro declarou que o banqueiro “não tem nem nunca teve informação ou participação em negócios relacionados ao resort ou quaisquer outros investimentos realizados por esses veículos”, acrescentando que segue colaborando com as autoridades.
Segundo a apuração, Toffoli não possui participação direta no empreendimento, mas frequenta o local e é relator, no Supremo, do inquérito que investiga supostas fraudes no Banco Master, envolvendo Vorcaro e a Reag Investimentos. O processo chegou à Corte após pedido da defesa do banqueiro. No mesmo contexto investigativo, Zettel chegou a ser preso e posteriormente solto.
A engenharia financeira descrita envolve o fundo Leal como único cotista do fundo Arleen, ambos geridos pela Reag. O Arleen foi usado para adquirir a participação da família Toffoli no resort. Em setembro de 2021, o fundo tornou-se sócio das empresas responsáveis pelo Tayayá, aportando R$ 20 milhões e formalizando Zettel como parceiro de negócios de familiares do ministro.
As empresas beneficiadas foram a Tayayá Administração e Participações e a DGEP Empreendimentos, controladas pelo primo de Toffoli, Mario Umberto Degani, e que tinham como sócia a Maridt S.A., dirigida pelos irmãos do ministro. Documentos da Junta Comercial do Paraná mostram que o fundo adquiriu metade da participação societária dessas companhias, correspondente aos R$ 6,6 milhões.
A sociedade perdurou até 2025, quando as participações foram vendidas ao advogado Paulo Humberto Barbosa, hoje único proprietário do resort. Barbosa já atuou para a JBS em causas tributárias e afirmou à CNN Brasil que seu investimento no Tayayá visa transformá-lo em um grande complexo turístico, negando ter feito negócios com Toffoli.
A investigação do Estadão também aponta que o fundo Arleen, criado em 2021 com prazo de 20 anos, foi liquidado em novembro de 2025 após o avanço de operações da Polícia Federal contra fundos da Reag, diante da suspeita de gestão de veículos abastecidos com recursos do PCC. Auditorias encaminhadas à CVM relataram ausência de documentos e dificuldades na avaliação de ativos, incluindo o próprio resort, com menção a riscos associados a apurações por lavagem de dinheiro.
Relatórios ainda indicam que o fundo Leal investiu em empresas ligadas a Vorcaro, como uma companhia de tecnologia administrada por Zettel e um conglomerado do setor de turismo, ampliando o escopo das investigações sobre o uso de fundos para operações financeiras suspeitas envolvendo o Banco Master.
Fonte: Gazeta do Povo
