Justiça mantém prisão de acusado de matar professor piauiense e apuração aponta crime de homofobia

Tribunal do DF rejeita habeas corpus e reforça gravidade do homicídio que vitimou João Emmanuel

Imagem reprodução

A Justiça do Distrito Federal decidiu manter a prisão preventiva de Guilherme Silva, suspeito de assassinar o professor piauiense João Emmanuel, de 32 anos, morto no último dia 4 de janeiro, na região de Sobradinho, no Distrito Federal. A decisão foi proferida no dia 14 pelo desembargador Sandoval Oliveira, que negou o pedido de habeas corpus apresentado pela defesa do acusado.

João Emmanuel era filho do vice-prefeito do município de Isaías Coelho, no Sul do Piauí, George Moura. O crime causou forte comoção no estado, especialmente entre educadores, familiares e amigos da vítima, que acompanham de perto o andamento das investigações.

No pedido encaminhado ao Judiciário, a defesa de Guilherme Silva sustentou que o investigado é réu primário, possui residência fixa, vínculo de trabalho e não registra antecedentes criminais. Os advogados argumentaram ainda que o episódio teria sido um fato isolado, tentando descaracterizar o crime como homicídio doloso e defendendo o enquadramento como homicídio culposo. Com base nesses argumentos, solicitaram a revogação da prisão preventiva ou, alternativamente, a aplicação de medidas cautelares diversas da prisão.

Ao analisar o caso, o desembargador destacou que a gravidade concreta dos fatos, aliada à confissão do investigado, afasta a possibilidade de concessão da liberdade. Segundo a decisão, o modo como o crime foi cometido evidencia elevada periculosidade, tornando inadequadas medidas alternativas. Para o magistrado, a prisão é necessária para a garantia da ordem pública.

As investigações conduzidas pela Polícia Civil do Distrito Federal apontam que Guilherme Silva seguiu a vítima e a agrediu de forma extremamente violenta. Conforme apurado, o suspeito desferiu socos, chutes e pisadas na região da cabeça de João Emmanuel mesmo após ele cair ao chão. Testemunhos e laudos periciais indicam que o professor ficou agonizando no local, enquanto o agressor deixou a cena do crime e seguiu normalmente para o trabalho.

A perícia identificou lesões graves no rosto da vítima, incluindo a marca do solado do calçado do agressor, reforçando a brutalidade da ação. De acordo com o delegado Ricardo Viana, responsável pela investigação, o inquérito aponta indícios claros de motivação homofóbica.

“O investigado relatou que iniciou as agressões após supostos gestos feitos pela vítima. Essa versão está sendo analisada, mas os elementos reunidos até o momento indicam que se trata de um crime motivado por homofobia”, afirmou o delegado. Com base nisso, Guilherme Silva deve ser indiciado por homicídio duplamente qualificado, por motivo fútil e pelo uso de meio cruel.

Após a confirmação da morte, o corpo de João Emmanuel foi trasladado para o Piauí, onde foi sepultado em Isaías Coelho sob forte comoção popular. Familiares, amigos e representantes da sociedade civil seguem cobrando justiça e a punição rigorosa do responsável, destacando a necessidade de enfrentamento à violência motivada por ódio e preconceito.

Fonte: 180Graus

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