Trump amplia tensão internacional e ameaça Groenlândia e Colômbia após ação na Venezuela

Presidente dos EUA provoca reação de aliados europeus e governos latino-americanos ao sugerir anexações e intervenção militar

Foto: REUTERS/Hannibal Hanschke/Proibida reprodução

Um dia após a operação militar dos Estados Unidos em território venezuelano, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro, o presidente norte-americano Donald Trump voltou a elevar o tom no cenário internacional ao ameaçar a anexação da Groenlândia, território semiautônomo ligado à Dinamarca, e sugerir uma possível ação militar contra a Colômbia, governada por Gustavo Petro.

As declarações provocaram reação imediata de líderes europeus e latino-americanos, que classificaram as falas como graves, desrespeitosas e incompatíveis com o direito internacional. A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, afirmou de forma categórica que os Estados Unidos não possuem qualquer direito sobre a Groenlândia.

“Não faz absolutamente nenhum sentido falar em necessidade de os Estados Unidos tomarem posse da Groenlândia. Trata-se de um território que não está à venda e cuja soberania deve ser respeitada”, declarou Frederiksen, lembrando que a Dinamarca é membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e que já mantém acordos de defesa com Washington no Ártico.

A chefe de governo dinamarquesa destacou ainda que o país investe de forma significativa na segurança da região e apelou para que Trump cesse as ameaças contra aliados históricos. O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens Frederik Nielsen, também reagiu com indignação, afirmando que o território não pode ser tratado como “objeto de retórica de superpotência”.

Em entrevista à revista The Atlantic, Trump justificou a ameaça alegando razões estratégicas. Segundo ele, a Groenlândia seria essencial para a segurança nacional dos Estados Unidos diante da presença de navios russos e chineses no entorno do território. A argumentação, no entanto, foi rejeitada por diversos líderes europeus, incluindo os chefes de governo da Finlândia, Noruega, Suécia e do Reino Unido. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, reforçou que apenas a Groenlândia e a Dinamarca têm legitimidade para decidir o futuro do território.

Escalada também na América Latina
Além da crise com a Europa, Trump direcionou ataques verbais à Colômbia e ao presidente Gustavo Petro, sugerindo que uma ação militar contra o país “parece uma boa ideia”. O presidente dos EUA acusou o governo colombiano de conivência com o tráfico de drogas, afirmação prontamente rechaçada por Petro.

O presidente colombiano negou qualquer envolvimento com atividades ilícitas e afirmou que sua trajetória política e patrimonial é pública e transparente. Petro também convocou a população a defender a soberania nacional diante de qualquer tentativa de intervenção externa, destacando que as forças de segurança devem proteger o país contra invasões, e não agir contra o próprio povo.

Cenário de instabilidade
As novas declarações de Trump aprofundam o clima de instabilidade diplomática global, ampliando tensões tanto com aliados históricos quanto com países da América Latina. Analistas internacionais avaliam que a retórica agressiva do governo norte-americano pode gerar consequências políticas, econômicas e militares imprevisíveis, além de fragilizar alianças estratégicas construídas ao longo de décadas.

Enquanto isso, a comunidade internacional acompanha com preocupação os desdobramentos da ofensiva dos Estados Unidos, que já enfrenta críticas de organismos multilaterais e de líderes globais diante do risco de escalada de conflitos em diferentes regiões do mundo.

Fonte: Agência Brasil

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