Doença antes associada a idosos avança em adultos abaixo dos 50 anos; especialistas reforçam importância da prevenção e do diagnóstico precoce
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| No Brasil, o câncer colorretal é o terceiro tipo mais comum de câncer - Imagem: iStock |
O câncer colorretal, tradicionalmente mais comum em pessoas acima dos 50 anos, vem registrando aumento significativo entre adultos jovens em diversos países. Nos Estados Unidos, já se tornou a principal causa de morte por câncer em pessoas com menos de 50 anos, segundo dados recentes da Sociedade Americana do Câncer.
Casos de personalidades conhecidas trouxeram visibilidade ao problema nos últimos anos. O ator James Van Der Beek, de Dawson’s Creek, morreu aos 48 anos, enquanto Chadwick Boseman, estrela de Pantera Negra, faleceu aos 43. A doença também tem sido diagnosticada em pessoas na faixa dos 20 e 30 anos, algo que até pouco tempo era considerado raro.
Estudo publicado na revista The Lancet Oncology analisou dados de 50 países e identificou aumento da incidência precoce em 27 deles. Em 20 países, o crescimento ocorreu exclusivamente entre os mais jovens ou foi mais acelerado nesse grupo do que entre os mais velhos.
Situação nos Estados Unidos e no Brasil
Nos EUA, mais de 158 mil novos casos devem ser registrados neste ano. A doença é a segunda principal causa de morte por câncer no país, atrás apenas do câncer de pulmão.
No Brasil, o câncer colorretal é o terceiro tipo mais comum, com estimativa de 45.630 novos casos anuais. A mortalidade relacionada ao tumor de cólon e reto aumentou quase 50% nas últimas duas décadas. Levantamentos indicam que mais de 60% dos casos são diagnosticados tardiamente, o que compromete as chances de cura.
Quando identificado precocemente, as taxas de sobrevivência em cinco anos podem variar entre 80% e 90%. Já em estágios avançados, quando o câncer se espalha para outros órgãos, a taxa de sobrevivência pode cair para 10% a 15%.
Fatores de risco
Embora a maioria dos casos ainda ocorra em pessoas acima dos 50 anos, os diagnósticos em adultos mais jovens vêm aumentando desde os anos 2000. Entre os fatores de risco estão:
Obesidade
Sedentarismo
Dieta rica em carne vermelha e processada
Baixo consumo de frutas, verduras e grãos integrais
Tabagismo
Consumo excessivo de álcool
Doença inflamatória intestinal
Histórico familiar da doença
Pesquisas recentes também apontam possível relação com maior consumo de alimentos ultraprocessados e alterações na microbiota intestinal, embora ainda não exista consenso científico definitivo sobre essas associações.
Especialistas recomendam uma alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e moderação no consumo de álcool como medidas preventivas.
Sintomas que não devem ser ignorados
Os sinais de alerta incluem:
Sangue nas fezes ou sangramento retal
Mudanças persistentes nos hábitos intestinais
Diarreia ou constipação prolongadas
Fezes afinadas
Perda de peso involuntária
Dor ou cólicas abdominais
Anemia sem causa aparente
A orientação médica é clara: qualquer sintoma persistente deve ser investigado.
Quando iniciar o rastreamento
As diretrizes médicas recomendam que adultos com risco médio iniciem exames preventivos aos 45 anos. Pessoas com histórico familiar ou fatores de risco devem conversar com o médico sobre iniciar a avaliação mais cedo.
Entre os exames disponíveis estão testes anuais de fezes e colonoscopias, que podem ser realizadas a cada 10 anos, dependendo do resultado. A detecção precoce permite remover pólipos pré-cancerígenos antes que evoluam para tumores.
O desafio científico
Ainda não há explicação definitiva para o aumento dos casos em adultos jovens. Pesquisadores investigam possíveis mudanças no microbioma intestinal e padrões modernos de alimentação e estilo de vida. Observa-se também que tumores em jovens tendem a surgir mais frequentemente no lado esquerdo do cólon e no reto, regiões que provocam sintomas mais evidentes.
Diante desse cenário, médicos reforçam que prevenção, informação e rastreamento adequado são as principais armas para conter o avanço da doença e reduzir mortes evitáveis.
Fonte: UOL
