Boletim Focus indica pressão inflacionária persistente, Selic ainda elevada e avanço tímido do PIB
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| Foto: José Cruz/Agência Brasil |
O mercado financeiro voltou a elevar a previsão da inflação para 2026. De acordo com o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (30), a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu de 4,17% para 4,31%, marcando a terceira alta consecutiva nas projeções.
Mesmo com a elevação, a expectativa ainda permanece dentro do intervalo da meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), fixada em 3% ao ano, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%. O movimento de alta ocorre em meio a um cenário internacional mais instável, influenciado pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio, que impactam preços de energia e cadeias produtivas.
Os dados mais recentes da inflação mostram um avanço mensal de 0,7% em fevereiro, impulsionado principalmente pelos setores de transportes e educação. Apesar disso, o acumulado em 12 meses recuou para 3,81%, ficando abaixo de 4% pela primeira vez desde maio de 2024.
Para os próximos anos, o mercado também revisou levemente suas projeções. A inflação esperada para 2027 passou de 3,8% para 3,84%, enquanto as estimativas para 2028 e 2029 foram mantidas em 3,57% e 3,5%, respectivamente.
No campo da política monetária, a taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 14,75% ao ano, segue como principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação. Na última reunião, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa em 0,25 ponto percentual, após um longo período de estabilidade em níveis elevados.
A expectativa anterior do mercado era de um corte mais intenso, de 0,5 ponto percentual, mas o cenário externo mais incerto levou o Banco Central a adotar uma postura mais cautelosa. A autoridade monetária não descarta interromper ou ajustar o ciclo de queda dos juros caso haja novas pressões inflacionárias.
As projeções indicam que a Selic deve encerrar 2026 em 12,5% ao ano, com tendência de queda gradual nos anos seguintes: 10,5% em 2027, 10% em 2028 e 9,75% em 2029.
No que diz respeito à atividade econômica, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) foi levemente revisado para cima, passando de 1,84% para 1,85% em 2026. Para 2027, a expectativa é de expansão de 1,8%, enquanto para 2028 e 2029 o crescimento projetado é de 2% ao ano.
O desempenho mais recente da economia brasileira, com crescimento de 2,3% em 2025 segundo o IBGE, mantém uma trajetória positiva, embora moderada. O resultado foi impulsionado por todos os setores, com destaque para a agropecuária.
No mercado de câmbio, a previsão para o dólar permanece em R$ 5,40 ao final de 2026, com leve alta projetada para R$ 5,45 em 2027.
O cenário delineado pelo Boletim Focus reforça um quadro de inflação ainda pressionada, juros elevados por mais tempo e crescimento econômico contido, refletindo os desafios de equilibrar estabilidade de preços e expansão da atividade em um ambiente global incerto.
Fonte: Agência Brasil
