Petróleo dispara e se aproxima de US$ 120 com escalada da guerra no Oriente Médio

Conflito prolongado provoca queda nas bolsas globais, eleva preços da energia e aumenta temores de impacto na economia mundial

Fumaça sobe após ataque à refinaria de petróleo da Bapco em Sitra, no Bahrein, em 9 de março de 2026. — Foto: REUTERS/Stringer

Os mercados financeiros globais iniciaram a semana sob forte tensão. As principais bolsas de valores da Ásia e da Europa registraram quedas expressivas nesta segunda-feira (9), enquanto o preço do petróleo disparou e chegou a se aproximar de US$ 120 por barril, refletindo os temores provocados pela escalada da guerra no Oriente Médio.

A instabilidade nos mercados ocorre à medida que o conflito entra em sua segunda semana sem sinais de trégua, aumentando o risco de impactos prolongados sobre a economia global e sobre o abastecimento de energia.

Bolsas internacionais registram perdas expressivas

Na Ásia, os mercados ampliaram as perdas que já vinham sendo registradas desde o início das tensões geopolíticas.

A bolsa de Seul, que vinha apresentando desempenho positivo impulsionado pelo setor de tecnologia, encerrou o pregão com queda de 5,96%, enquanto a bolsa de Tóquio recuou 5,2%.

Outros mercados asiáticos também fecharam em baixa, incluindo Hong Kong, Xangai, Taipei, Sydney, Singapura, Manila e Wellington.

Na Europa, o cenário também foi de retração generalizada. O índice da bolsa de Paris registrava queda de 2,59%, Frankfurt recuava 2,47%, Londres caía 1,57%, Madri perdia 2,87% e Milão registrava retração de 2,71%.

Nos Estados Unidos, os principais índices de Dow Jones Industrial Average, S&P 500 e Nasdaq Composite já haviam acumulado perdas superiores a 2% na semana anterior. Em meio à turbulência, o dólar voltou a ganhar força no mercado internacional por ser considerado um ativo de proteção em momentos de crise.

Petróleo dispara com risco à produção e ao transporte

O impacto mais imediato da guerra tem sido observado no mercado de energia. O barril do petróleo West Texas Intermediate, referência nos Estados Unidos, chegou a subir cerca de 30%, atingindo US$ 119,48 antes de recuar levemente para US$ 104,96.

Já o petróleo Brent, referência internacional, avançava 17,42%, sendo negociado a cerca de US$ 108,82 após também ter superado a marca de US$ 119 durante o pregão.

O preço do gás natural na Europa também registrou forte alta. Os contratos futuros do TTF holandês, principal referência para o continente, dispararam cerca de 30%, chegando a 69,50 euros.

Ataques atingem produção e transporte de energia

Nos últimos dias, ataques atingiram campos de petróleo no sul do Iraque e na região autônoma curda, provocando redução na produção.

Além disso, Emirados Árabes Unidos e Kuwait também reduziram a produção após ataques iranianos contra seus territórios.

Outro fator de preocupação é a paralisação do tráfego no Estreito de Ormuz, por onde passa aproximadamente 20% do petróleo e do gás consumidos no mundo. A interrupção começou com o início da guerra, em 28 de fevereiro.

Países estudam uso de reservas estratégicas

Diante da escalada dos preços, países do G7 avaliam utilizar de forma coordenada suas reservas estratégicas de petróleo para tentar conter a alta.

A discussão deve ocorrer em uma videoconferência entre ministros das Finanças das principais economias do grupo.

A Agência Internacional de Energia estabelece que os países membros mantenham reservas equivalentes a 90 dias de importações de petróleo, o que permite respostas emergenciais em momentos de crise energética.

Temor de inflação global

Especialistas alertam que a alta prolongada no preço da energia pode gerar efeitos em cadeia sobre toda a economia mundial, pressionando a inflação e elevando custos de produção e transporte.

Para o analista Stephen Innes, da SPI Asset Management, o petróleo acima de US$ 100 representa mais do que apenas uma alta de commodities.

Segundo ele, nesse patamar, o petróleo passa a funcionar como um “imposto sobre a economia global”, já que o aumento dos custos energéticos acaba sendo repassado para praticamente todos os setores produtivos.

Enquanto isso, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, minimizou a alta dos preços do petróleo e afirmou que o impacto seria temporário diante do que classificou como necessidade de eliminar a ameaça nuclear do Irã.

Ainda assim, analistas apontam que, caso o conflito se prolongue, os efeitos sobre os mercados e sobre a economia global podem se intensificar nas próximas semanas.

Fonte: G1

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