Sentença também determina perda do mandato, multa milionária e proibição de exercer função pública
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| Tatiana Medeiros - Foto reprodução |
A Justiça Eleitoral condenou a vereadora Tatiana Medeiros a 19 anos, 10 meses e 7 dias de prisão por participação em um esquema criminoso envolvendo compra de votos, organização criminosa, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e peculato-desvio, prática popularmente conhecida como “rachadinha”. Além da pena de reclusão, foi aplicada multa correspondente a 492 dias-multa.
A decisão foi proferida por um colegiado formado por três magistrados, em razão da complexidade e da gravidade dos fatos apurados. A sentença também estabelece a perda do cargo público, a suspensão do direito de ocupar funções públicas e o pagamento solidário de R$ 1 milhão por danos causados à coletividade.
De acordo com a decisão judicial, que ultrapassa 200 páginas, ficou comprovada a atuação de uma organização criminosa estruturada, com divisão de tarefas entre os integrantes. O grupo seria responsável por captar eleitores, monitorar votos e realizar movimentações financeiras consideradas ilícitas durante o período eleitoral.
Ainda conforme os autos, uma entidade social teria sido utilizada como instrumento para distribuição de benefícios em troca de apoio político, mecanismo que reforçou as acusações de corrupção eleitoral e abuso de poder.
A Justiça rejeitou os argumentos apresentados pela defesa, que alegava nulidade de provas e cerceamento de defesa. Para os juízes, não houve prejuízo processual, sendo válidos os elementos reunidos durante a investigação e suficientes para fundamentar a condenação.
Também foi negado o direito de recorrer em liberdade aos apontados como líderes do esquema. A defesa da parlamentar informou que está analisando a sentença e deverá adotar as medidas cabíveis no processo.
Tatiana Medeiros está presa desde abril de 2025, quando foi alvo da Operação Escudo Eleitoral II, deflagrada pela Polícia Federal. Inicialmente detida em unidade militar, ela teve posteriormente a prisão convertida em domiciliar por motivos de saúde, permanecendo sob monitoramento eletrônico.
Atualmente afastada do mandato, a parlamentar segue impedida de frequentar a Câmara Municipal de Teresina e de manter contato com servidores da Casa. O caso segue repercutindo no cenário político e ainda pode ter novos desdobramentos judiciais.
Fonte: 180Graus
