Projeto propõe “Nova Lei Seca” com multa de até R$ 29 mil e suspensão da CNH por 10 anos

Texto em análise na Câmara prevê punições mais severas para motoristas alcoolizados envolvidos em acidentes com morte ou invalidez permanente

Fiscalização por meio de etilômetro (Governo do Estado de São Paulo/Divulgação)

Um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados pode endurecer significativamente as regras da Lei Seca no Brasil. A proposta prevê multas elevadas, suspensão prolongada da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e novas obrigações financeiras para condutores flagrados dirigindo sob efeito de álcool ou outras substâncias psicoativas em acidentes graves.

O Projeto de Lei nº 3.574/2024, apresentado pelo ex-deputado Gilvan Máximo, estabelece que, em casos de acidentes com morte, o motorista poderá receber multa equivalente a cem vezes o valor de uma infração gravíssima, totalizando R$ 29.347. Além disso, o texto propõe a suspensão do direito de dirigir por dez anos.

Nos casos em que o acidente causar invalidez permanente à vítima, a punição prevista é multa de cinquenta vezes o valor base, chegando a R$ 14.673,50, além da suspensão da CNH por cinco anos.

A proposta também determina que o condutor arque com todas as despesas médicas da vítima e pague indenização adicional que pode alcançar dez vezes o valor da infração gravíssima. Caso o responsável não possua patrimônio suficiente, o texto prevê pensão mensal equivalente a 30% de seus benefícios previdenciários.

Na justificativa do projeto, o autor afirma que o número de mortes no trânsito brasileiro é alarmante e que grande parte dessas ocorrências envolve condutores alcoolizados. Segundo o texto, a intenção é ampliar o efeito preventivo das punições e reduzir tragédias nas ruas e rodovias do país.

Atualmente, a Lei Seca em vigor estabelece multa de R$ 2.934,70 e suspensão da CNH por 12 meses para quem for flagrado dirigindo sob efeito de álcool. Em caso de reincidência no período de um ano, a multa dobra e pode haver cassação da habilitação.

Quando o teste do bafômetro aponta índice superior a 0,34 mg/l de álcool por litro de ar expelido, a conduta passa a ser considerada crime de trânsito. Nesses casos, o motorista pode ser levado à delegacia e responder com pena de detenção de seis meses a três anos, além de multa e suspensão da CNH.

O projeto aguarda parecer do relator Marcos Tavares na Comissão de Viação e Transportes. Para virar lei, ainda precisará ser aprovado pela Câmara, pelo Senado Federal e sancionado pela Presidência da República.

Fonte: Quatro Rodas

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