Toffoli se declara suspeito e não participará de julgamento sobre prisão de Daniel Vorcaro

Ministro do STF citou motivo de foro íntimo após menções ao seu nome aparecerem em mensagens encontradas no celular do banqueiro investigado no caso Banco Master

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, declarou-se suspeito para participar do julgamento que decidirá se a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro será confirmada pela Corte. A análise está marcada para a próxima sexta-feira (13) e ocorrerá em sessão virtual da Segunda Turma do tribunal.

Na decisão, Toffoli afirmou que optou por se afastar do processo por motivo de foro íntimo, citando a existência de conexão entre o caso e outras investigações em curso.

“Tendo em vista que há correlação entre as matérias objeto daquele feito e as dos autos da Pet nº 15.556/DF, declaro a minha suspeição na forma do art. 145, § 1º, do Código de Processo Civil, por motivo de foro íntimo, a partir desta fase investigativa”, escreveu o ministro.

Com o afastamento de Toffoli, caberá aos ministros Gilmar Mendes, Luiz Fux e Nunes Marques analisar a decisão do ministro André Mendonça, que determinou a prisão de Vorcaro no âmbito das investigações relacionadas ao Banco Master.

O julgamento ocorrerá em sessão virtual da Segunda Turma do STF, com início previsto para as 11h de sexta-feira.

Suspeição também alcança pedido de CPI

Além do julgamento sobre a prisão do banqueiro, Toffoli também declarou suspeição em outro processo ligado ao mesmo caso: um mandado de segurança que pretende obrigar a Câmara dos Deputados a instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar possíveis fraudes envolvendo o Banco Master.

O processo havia sido distribuído inicialmente ao ministro nesta quarta-feira (11), por meio do sistema eletrônico de distribuição do STF. Apesar de já ter deixado voluntariamente a relatoria do inquérito sobre o caso, Toffoli ainda não havia formalizado impedimento para analisar novos processos relacionados ao tema.

Com a manifestação de suspeição, o caso foi redistribuído e passou a ser relatado pelo ministro Cristiano Zanin.

Mensagens em celular de Vorcaro levaram ao afastamento

No mês passado, Dias Toffoli já havia deixado a relatoria do inquérito que investiga as fraudes no Banco Master. A decisão ocorreu após a Polícia Federal informar ao presidente do STF, Edson Fachin, que o nome do ministro aparecia em mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro.

O aparelho do banqueiro foi apreendido durante a primeira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada no ano passado para apurar suspeitas de fraudes financeiras bilionárias.

Outro elemento citado nas investigações envolve a relação do ministro com o resort Resort Tayayá, do qual Toffoli é um dos sócios. O empreendimento foi adquirido por um fundo de investimentos ligado ao Banco Master e também passou a ser analisado no contexto da investigação conduzida pela Polícia Federal.

O caso segue em andamento no STF e envolve suspeitas de irregularidades que teriam provocado impactos bilionários no sistema financeiro.

Fonte: Agência Brasil 


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