Fenômeno biológico extremamente incomum já teve cerca de 20 registros científicos no mundo e surpreendeu especialistas
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| Os cientistas do Instituto de Genética da Universidade Nacional da Colômbia descobriram um caso de superfecundação heteropaternal — Foto: GETTY IMAGES via BBC |
Um exame de paternidade realizado na Universidade Nacional da Colômbia revelou um dos casos mais raros já documentados pela genética moderna: dois irmãos gêmeos, nascidos da mesma gestação, eram filhos de pais diferentes.
O episódio aconteceu em 2018, quando uma mulher procurou o Laboratório de Genética de Populações e Identificação da instituição para confirmar a paternidade dos filhos, nascidos dois anos antes. O resultado inicial chamou tanta atenção que os especialistas decidiram repetir todo o processo. A segunda análise confirmou exatamente o mesmo diagnóstico.
Os meninos eram filhos da mesma mãe, porém de homens distintos. O fenômeno recebe o nome de superfecundação heteropaternal, condição extremamente rara no mundo científico, com aproximadamente vinte casos descritos em publicações especializadas.
Como a descoberta foi feita
Os pesquisadores utilizaram exames de DNA baseados em marcadores microssatélites, técnica aplicada em testes modernos de filiação. O método compara fragmentos genéticos da mãe, das crianças e do suposto pai para identificar compatibilidades hereditárias.
No caso colombiano, foram analisados 17 marcadores genéticos. O resultado mostrou que o homem testado possuía compatibilidade genética com apenas um dos gêmeos, descartando a paternidade do outro.
Segundo os cientistas responsáveis, esse tipo de descoberta é excepcional até mesmo para profissionais experientes. O diretor do laboratório afirmou que, em mais de duas décadas de trabalho, nunca havia presenciado situação semelhante.
Como isso acontece
A superfecundação heteropaternal ocorre quando a mulher libera dois óvulos durante o mesmo ciclo menstrual e mantém relações sexuais com homens diferentes em um intervalo muito curto de tempo. Cada óvulo pode então ser fecundado por espermatozoides distintos, gerando gêmeos com pais biológicos diferentes.
Para que isso aconteça, uma sequência rara de fatores precisa coincidir: múltipla ovulação, relações em curto período e fecundação de ambos os óvulos ainda viáveis. Especialistas explicam que os óvulos permanecem aptos à fecundação por cerca de 24 a 36 horas após serem liberados.
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| Os casos de gêmeos com pais diferentes são muito poucos porque diversos eventos raros precisam se combinar para levar à gestação — Foto: GETTY IMAGES via BBC |
Casos podem ser mais comuns do que se imagina
Apesar de poucos registros oficiais, especialistas acreditam que outros episódios semelhantes podem existir sem nunca terem sido identificados, já que a maioria das famílias não realiza exames de DNA. Com a popularização dos testes genéticos, a tendência é que novos casos sejam descobertos ao redor do mundo.
Mesmo diante do interesse científico, os pesquisadores destacam que investigações desse tipo seguem rígidos protocolos éticos, preservando a privacidade e a intimidade das pessoas envolvidas.
Fonte: G1

