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| Senador Ciro Nogueira - Foto: Pedro França/Agência Senado |
De acordo com reportagem do jornalista Breno Pires, da revista piauí, o parlamentar, que não é investigado no inquérito, mantinha contato direto com integrantes de um grupo suspeito de utilizar postos de combustíveis, empresas de fachada, fundos de investimento e fintechs para lavagem de dinheiro com ligação ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Grupo de WhatsApp e encontros
A quebra de sigilo telemático dos empresários Haran Sampaio e Danillo de Sousa revelou a existência de um grupo de WhatsApp denominado “Ciro Vitor Haran Danilo”. Nas conversas, o senador, identificado como “Sena”, teria convidado os investigados para um encontro em sua residência, em novembro de 2023.
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| Prints de conversas obtidos pela polícia e publicados pela revista Piauí |
O encontro teria ocorrido em um momento estratégico, às vésperas da venda de parte da rede de postos dos empresários para Roberto Leme, conhecido como “Beto Louco”, apontado como um dos líderes do esquema. Em uma das mensagens, Haran afirma: “Só depende do ok dele”, ao que Ciro responde: “Ok”. Dias depois, o negócio foi concluído.
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| Prints de conversas obtidos pela polícia e publicados pela revista Piauí |
As interações continuaram nas semanas seguintes. Em janeiro de 2024, o senador teria sugerido um novo encontro em um hotel para “atualizar as coisas”. As mensagens indicam que a reunião foi realizada na mesma data.
Atuação de lobista e movimentações financeiras
As investigações apontam que Victor Linhares, conhecido como “Vitinho” e ex-assessor do senador, teria atuado como intermediador do grupo. Ele recebeu R$ 230 mil dos empresários durante o período das negociações, valor que teria circulado por uma fintech sob suspeita de lavagem de dinheiro. O Ministério Público o denunciou por envolvimento no esquema.
Também foram identificadas tentativas de contato com o deputado federal Júlio Arcoverde (PP-PI), aliado político de Ciro Nogueira. Um relatório do Coaf apontou ainda uma transferência de R$ 9,5 mil oriunda do CNPJ de campanha eleitoral de Arcoverde para uma empresa ligada aos empresários investigados.
Apesar das menções, tanto Ciro Nogueira quanto Júlio Arcoverde não são formalmente investigados, em razão do foro privilegiado, o que exige eventual análise pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Defesas e desdobramentos
Em nota, a assessoria de Ciro Nogueira afirmou que o senador não possui qualquer envolvimento com práticas ilícitas e que tentativas de vinculá-lo ao caso não prosperarão. Júlio Arcoverde também negou irregularidades e declarou desconhecer as menções ao seu nome no contexto da investigação.
Os empresários Haran Sampaio e Danillo de Sousa não foram localizados para comentar o caso. Já Victor Linhares afirmou que o inquérito tramita sob segredo de justiça e alertou para possíveis penalidades em caso de divulgação indevida.
Apontados como peças centrais do esquema, Roberto Leme, o “Beto Louco”, e Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo”, seguem foragidos desde a deflagração da operação, ocorrida em agosto de 2025.
Fonte: Fórum


