Menos açúcar na infância pode diminuir risco de infarto e AVC na vida adulta, aponta estudo

Pesquisa indica que restrição nos primeiros dois anos de vida contribui para saúde cardiovascular e pode retardar surgimento de doenças crônicas

Foto: Freepik

Reduzir o consumo de açúcar nos primeiros anos de vida pode trazer benefícios duradouros para a saúde. Um estudo publicado no British Journal of Medicine aponta que a menor exposição ao ingrediente nos primeiros mil dias, período que inclui a gestação e os dois primeiros anos da criança, está associada à redução do risco de doenças cardiovasculares na fase adulta.

Segundo os pesquisadores, pessoas que tiveram menos contato com açúcar nessa etapa da vida apresentaram queda de até 25% no risco de infarto e 31% na chance de sofrer acidente vascular cerebral (AVC). Além disso, o surgimento dessas enfermidades ocorreu, em média, cerca de dois anos mais tarde em comparação aos demais participantes.

Para chegar aos resultados, foram analisados dados de 63.433 pessoas do banco britânico UK Biobank, nascidas entre 1951 e 1956. Os cientistas compararam indivíduos expostos ao período de racionamento de açúcar no Reino Unido com aqueles nascidos após o fim da política de controle alimentar.

A pesquisa também observou que quanto maior o tempo de restrição ao açúcar, maior foi a proteção cardiovascular identificada ao longo da vida.

Especialistas, no entanto, alertam que o estudo possui limitações. Por se tratar de uma análise observacional baseada em registros históricos, não é possível afirmar relação direta de causa e efeito entre o consumo de açúcar e as doenças cardiovasculares. Outros fatores, como mudanças no estilo de vida e maior oferta de gorduras no período analisado, também podem ter influenciado os resultados.

Ainda assim, médicos consideram os achados relevantes por reforçarem a importância da alimentação saudável desde cedo. A redução do açúcar na gestação e na primeira infância pode favorecer um metabolismo mais equilibrado e ajudar na prevenção de doenças como diabetes, hipertensão e obesidade.

A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que crianças menores de dois anos não consumam açúcar ou doces. A entidade destaca que o contato precoce com esses alimentos está ligado ao aumento do risco de cáries, excesso de peso, alterações metabólicas e preferência por produtos ultraprocessados.

Mesmo após essa fase, especialistas orientam que o consumo seja moderado e eventual, priorizando hábitos alimentares saudáveis desde a infância.

Fonte: Metrópoles 


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