Mudança no INSS durante governo Bolsonaro impulsionou cartão ligado ao banco Master

Alterações nas regras do crédito consignado em 2022 permitiram expansão do Credcesta entre aposentados e pensionistas; acordo foi barrado pela autarquia em 2025 

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O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) promoveu, em 2022, mudanças nas regras do crédito consignado que acabaram abrindo espaço para a atuação do cartão consignado de benefício, modalidade que impulsionou o crescimento do Credcesta, produto associado ao banco Master. A alteração ocorreu durante o governo de Jair Bolsonaro e ampliou o alcance do consignado para aposentados, pensionistas e beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC).

Reportagem da Folha de S. Paulo revelou que o acordo de cooperação técnica entre o INSS e o banco foi viabilizado após mudanças normativas feitas poucos dias depois de uma solicitação formal da instituição financeira. Documentos indicam que, apenas 16 dias após um ofício do banco pedindo a inclusão do novo cartão, a regra já havia sido adaptada para permitir sua operação.

A base legal da mudança está na Instrução Normativa PRES/INSS nº 131, publicada em 25 de março de 2022, que alterou regras anteriores sobre crédito consignado. Na sequência, a Resolução CNPS nº 1.348, de 12 de abril de 2022, regulamentou o chamado cartão consignado de benefício, prevendo a oferta de serviços adicionais e a necessidade de acordos específicos com a autarquia.

Nova modalidade ampliou atuação do banco no mercado previdenciário

Na prática, o novo modelo regulatório abriu caminho para que o Credcesta fosse ofertado ao público do regime geral da Previdência. Em junho de 2022, o banco Master solicitou aditamento ao acordo com o INSS para incluir o novo produto. Pouco tempo depois, normas complementares foram publicadas e o termo aditivo foi formalizado.

Embora o cartão já fosse utilizado por servidores estaduais e municipais, sua entrada no sistema previdenciário federal ampliou significativamente seu alcance. A regulamentação permitiu o uso da margem consignável e autorizou a oferta de benefícios adicionais, como descontos em farmácias e serviços assistenciais, modelo que sustentou a expansão do produto.

INSS aponta irregularidades e encerra acordo com o banco

A atual gestão do INSS passou a questionar a regularidade da operação. Em outubro de 2025, o órgão decidiu não renovar o acordo de cooperação com o banco Master e retirou o acesso da instituição aos sistemas do consignado, apontando possíveis inconsistências e riscos aos beneficiários.

O episódio se soma a uma série de investigações que envolvem o banco e sua atuação no mercado de crédito. A revista Revista Fórum já vinha destacando conexões entre o grupo financeiro, agentes políticos e estruturas empresariais que sustentaram sua expansão.

Contexto político e investigações ampliam relevância do caso

As apurações indicam que o caso ultrapassa o âmbito financeiro e envolve uma rede mais ampla de relações políticas e institucionais. Reportagens anteriores apontaram, por exemplo, a presença de aliados do governo Bolsonaro em cargos ligados ao setor e conexões com figuras influentes do mercado financeiro.

Entre os nomes citados em investigações e reportagens está Roberto Campos Neto, além de referências ao ambiente da chamada “Faria Lima”, centro do mercado financeiro brasileiro. Também surgiram menções ao pastor André Valadão, indicando a interseção entre diferentes esferas de influência.

Da mudança normativa à crise do banco Master

A sequência dos acontecimentos revela que a flexibilização das regras ocorreu no último ano do governo Bolsonaro e foi determinante para a entrada do Credcesta no universo do INSS. Com o passar do tempo e a mudança de gestão, a própria autarquia passou a identificar possíveis irregularidades na operação.

O cenário se agravou com a liquidação extrajudicial do banco Master e o avanço das investigações sobre suas carteiras de crédito, estrutura empresarial e vínculos políticos. Nesse contexto, a alteração normativa de 2022 passou a ser vista como peça-chave para compreender tanto a expansão do produto quanto os desdobramentos que levaram à crise da instituição.

Fonte: Fórum 

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