Ciro Nogueira confirma candidatura ao Senado e critica operação da Polícia Federal

Senador do Progressistas afirma que disputará a reeleição em 2026, questiona investigação da PF no Caso Master e diz que ações ocorrem em meio ao cenário eleitoral

Senador Ciro Nogueira - Imagem reprodução redes sociais

O senador Ciro Nogueira confirmou nesta terça-feira (12) que continuará como pré-candidato à reeleição ao Senado Federal nas eleições de 2026. A declaração acontece poucos dias após o parlamentar se tornar alvo da quinta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal para investigar suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro relacionadas ao Banco Master.

Em vídeo divulgado pela assessoria de imprensa e enviado ao g1, o presidente nacional do Progressistas afirmou estranhar o fato de a operação ter começado justamente por um nome de destaque da oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Tem uma coisa que me causou muita estranheza: por que começar essa operação por um líder da oposição? Essas coisas não surgem por acaso, acontecem porque estamos em ano eleitoral. As questões técnicas e provas estão em segundo plano para eles”, declarou o senador.

A investigação da Polícia Federal aponta que a empresa CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda., da qual Ciro Nogueira é sócio, teria sido utilizada para receber vantagens financeiras em troca de atuação política favorável ao banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Segundo a apuração, os repasses mensais poderiam alcançar R$ 500 mil.

O irmão do senador, Raimundo Nogueira, administrador da empresa investigada, também foi alvo da operação e passou a ser monitorado por tornozeleira eletrônica.

Durante a manifestação, Ciro comentou pela primeira vez os valores citados na investigação e minimizou a dimensão das movimentações financeiras atribuídas à empresa.

“Agora inventaram que recebi ilegalmente valores por meio dessas empresas, valores que não chegam sequer a 1% do seu faturamento anual. Não chega a 0,5% do faturamento em dois anos”, afirmou.

O senador também rebateu as acusações envolvendo a chamada “Emenda Master”, proposta apresentada por ele para ampliar o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), elevando o teto de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante. A Polícia Federal suspeita que o texto da proposta teria sido elaborado com participação da assessoria do Banco Master.

Ciro negou irregularidades e argumentou que o FGC é sustentado exclusivamente pelos bancos privados, sem utilização de recursos públicos.

“Este fundo é completamente privado. Quem financia o fundo são os bancos, não é a União, não tem recursos públicos. Até hoje ninguém veio a público explicar por que esse valor não é corrigido há 13 longos anos, sendo que isso só beneficia os grandes bancos”, declarou.

Na segunda-feira (11), o parlamentar anunciou a troca de sua equipe de defesa no Caso Master. O escritório que representava o senador informou que a decisão ocorreu em comum acordo, mas até o momento não foram divulgados os motivos da mudança nem o nome da nova defesa responsável pelo caso.

Além da atual investigação, Ciro Nogueira relembrou outra operação da Polícia Federal realizada em setembro de 2018, quando mandados de busca e apreensão foram cumpridos em imóveis ligados ao senador em Teresina, durante investigação envolvendo supostos repasses ilícitos da Odebrecht.

Na ocasião, a Procuradoria-Geral da República acusou o parlamentar de receber R$ 7,3 milhões em propina para favorecer interesses da empreiteira. Entretanto, em 2023, a própria PGR pediu a rejeição da denúncia após mudanças no entendimento jurídico sobre provas oriundas do acordo de leniência da Odebrecht. Posteriormente, a maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal votou pelo arquivamento do caso.

“A investigação correu, quebraram sigilos, buscaram provas e a conclusão do inquérito foi essa. A PGR não viu elementos suficientes para sustentar a acusação e nem indícios mínimos, também concluiu que não foram comprovadas as alegações”, concluiu o senador.


Fonte: G1 

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