Relatório da Comissão de Mortos e Desaparecidos aponta atentado político na morte do ex-presidente e pode alterar oficialmente a certidão de óbito quase 50 anos após o caso
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| Foto: Arquivo |
A poucos meses de completar 50 anos da morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek, um novo relatório da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) concluiu que JK foi assassinado durante a ditadura militar, em 1976, contrariando a versão oficial sustentada por décadas de que o político teria morrido em um acidente automobilístico na Via Dutra.
O documento, elaborado pela historiadora Maria Cecília Adão, relatora do caso dentro da comissão, está sendo analisado pelos demais conselheiros e deverá ser votado em uma próxima reunião do colegiado. Segundo informações apuradas pela imprensa nacional, a tendência é de aprovação do relatório, que também poderá resultar na retificação oficial da certidão de óbito do ex-presidente.
A reviravolta reacende uma das maiores controvérsias da história política brasileira e ganha ainda mais peso por partir de um órgão oficial do Estado brasileiro, criado em 1995, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. Atualmente, a comissão conta com apoio técnico e administrativo do Ministério dos Direitos Humanos.
O relatório possui mais de 5 mil páginas, incluindo anexos e documentos técnicos, reunindo análises históricas, perícias, depoimentos e investigações realizadas ao longo das últimas décadas sobre as circunstâncias da morte de JK.
O ex-presidente morreu em 22 de agosto de 1976, quando viajava em um Opala conduzido pelo motorista e amigo Geraldo Ribeiro pela Rodovia Presidente Dutra. O veículo perdeu o controle, atravessou o canteiro central e colidiu violentamente com uma carreta na pista contrária. Ambos morreram no local.
As investigações conduzidas ainda durante o regime militar concluíram que o acidente teria sido provocado após o Opala ser atingido por um ônibus da Viação Cometa durante uma tentativa de ultrapassagem. Essa mesma versão acabou sendo adotada posteriormente por uma comissão externa da Câmara dos Deputados, em 2001, e também pela Comissão Nacional da Verdade, em 2014.
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| O Opala de JK destruído na colisão com carreta na via Dutra em 1976 - Folhapress |
Entretanto, outras investigações passaram a apontar indícios de atentado político. Entre as hipóteses levantadas estão sabotagem mecânica, disparo de arma de fogo ou até envenenamento do motorista antes da colisão. Essas conclusões foram defendidas por comissões da verdade estaduais de São Paulo e Minas Gerais, além da comissão municipal da Câmara de São Paulo.
O novo relatório da CEMDP também utiliza como referência um inquérito civil conduzido pelo Ministério Público Federal entre 2013 e 2019. O material, divulgado publicamente em 2021, é considerado uma das investigações mais aprofundadas já realizadas sobre a morte de JK.
A expectativa agora gira em torno da votação do parecer e dos possíveis impactos políticos e históricos da decisão, especialmente diante das celebrações e debates que devem marcar os 50 anos da morte do ex-presidente em 2026.
Fonte: UOL

