Convenção do PL em São Paulo teve discursos contra o governo Lula e o STF, ausência de Michelle Bolsonaro, participação virtual de Jair Bolsonaro e desafios para consolidar alianças da campanha.
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| Flávio Bolsonaro e presidente da Argentina, Javier Milei - Foto: Nelson ALMEIDA / AFP via Getty Images |
O senador Flávio Bolsonaro (PL) oficializou neste sábado (25), em São Paulo, sua candidatura à Presidência da República durante a convenção nacional do Partido Liberal (PL). O evento reuniu lideranças conservadoras, teve como principal convidado o presidente da Argentina, Javier Milei, e foi marcado por críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao Supremo Tribunal Federal (STF) e pela promessa de que Jair Bolsonaro voltará ao Palácio do Planalto em 2027.
Em seu discurso, Flávio afirmou que foi escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para disputar a sucessão presidencial e declarou que pretende "resgatar o Brasil". Em um dos momentos mais emocionados da cerimônia, o senador chorou ao agradecer ao pai e afirmou esperar que nenhum brasileiro passe pela situação de ter "um pai perseguido", em referência ao ex-presidente, atualmente em prisão domiciliar.
O candidato também prometeu que, caso seja eleito, Jair Bolsonaro voltará a subir a rampa do Palácio do Planalto em janeiro de 2027. Durante a fala, revelou ainda estar usando um colete à prova de balas sob a camisa e voltou a criticar decisões do Judiciário, embora em tom mais moderado do que outros participantes do evento.
A ausência da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro chamou atenção. Após protagonizar um desentendimento público com Flávio nos últimos dias, ela não compareceu à convenção, alegando estar em casa cuidando do marido. Em um vídeo exibido no evento, Michelle desejou sucesso ao enteado e reforçou que Jair Bolsonaro continua sendo o principal líder do grupo político.
Jair Bolsonaro também participou virtualmente da convenção. Em uma mensagem em vídeo, afirmou que sua imagem havia sido recriada por inteligência artificial e declarou que "nenhuma prisão vai calar milhões de brasileiros que acreditam no nosso país".
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| Vídeo de Bolsonaro criado com IA - Foto:Nelson ALMEIDA / AFP via Getty Images |
O principal convidado internacional foi o presidente argentino Javier Milei, que discursou por cerca de meia hora em espanhol. Defensor de políticas econômicas liberais, Milei afirmou que a América Latina vive uma mudança política em direção à direita e associou a candidatura de Flávio Bolsonaro a esse movimento. Durante sua participação, também fez duras críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, chamando-o de "lixo careca" após a negativa de autorização para visita a Jair Bolsonaro.
A esposa do candidato, Fernanda Bolsonaro, também discursou e direcionou sua mensagem ao eleitorado feminino, segmento em que Flávio enfrenta maior índice de rejeição nas pesquisas. Após sua fala, passou o microfone ao marido para o pronunciamento principal.
Além das presenças físicas, a convenção exibiu mensagens gravadas de apoio enviadas pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e pelos irmãos de Flávio, Eduardo Bolsonaro e Carlos Bolsonaro. O único filho do ex-presidente presente no local foi Jair Renan Bolsonaro.
O evento foi conduzido pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), enquanto o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, abriu a convenção destacando sua longa trajetória na legenda.
Também participaram o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB). Ambos defenderam mudanças na economia e fizeram críticas ao governo federal. Tarcísio elogiou os ajustes econômicos promovidos por Javier Milei na Argentina e afirmou que medidas semelhantes poderiam ser implementadas no Brasil.
Apesar das demonstrações públicas de apoio, Republicanos e MDB ainda não oficializaram uma aliança com o PL. O Republicanos deverá decidir no início de agosto se apoiará formalmente a candidatura ou permitirá que seus diretórios estaduais tenham autonomia para definir seus posicionamentos.
Na semana passada, a federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas, optou pela neutralidade na disputa presidencial, liberando seus diretórios estaduais para firmarem alianças locais. Caso o Republicanos siga a mesma estratégia, Flávio poderá disputar a eleição sem partidos coligados, obrigando o PL a montar uma chapa exclusivamente com integrantes da legenda.
O lançamento da candidatura ocorre em meio a uma série de desafios políticos. Além das dificuldades para ampliar alianças e do recente desgaste com Michelle Bolsonaro, o senador voltou a ser citado em reportagens relacionadas ao Banco Master.
Nesta semana, vieram à tona informações de que seu escritório de advocacia emitiu notas fiscais que somam R$ 1,5 milhão para empresas supostamente ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro. Flávio afirmou que não prestou os serviços e que as notas foram canceladas.
O nome do senador também voltou ao centro das atenções após o ministro do STF André Mendonça autorizar a Polícia Federal a investigar se recursos relacionados ao caso foram utilizados para custear despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Outra controvérsia envolve uma fotografia de Flávio ao lado de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como "Sicário", apontado como integrante de uma suposta milícia ligada a Vorcaro e que morreu enquanto estava preso. Inicialmente, o senador disse não conhecer o homem retratado e afirmou que costuma tirar fotos com diversas pessoas. Posteriormente, alegou que a imagem teria sido manipulada.
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| Foto: Nelson ALMEIDA / AFP via Getty Images |
Mesmo diante das recentes crises, Flávio Bolsonaro permanece entre os principais nomes da disputa presidencial. Segundo o agregador de pesquisas da BBC News Brasil, atualizado com os levantamentos mais recentes, ele aparece com 42% das intenções de voto em um eventual segundo turno, contra 46% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Fonte: BCC News


