Vorcaro afirma que doações a Bolsonaro e Tarcísio faziam parte de acordo envolvendo propina

Ex-banqueiro relaciona repasses de R$ 5 milhões a negociação atribuída a Gilberto Kassab para manutenção do Credcesta em São Paulo; proposta de delação foi rejeitada pela PF e pela PGR

Reprodução / Pablo Jacob/Governo do Estado de São Paulo / Breno Esaki/Metrópoles

O ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmou à Polícia Federal que doações realizadas às campanhas de Jair Bolsonaro (PL) e Tarcísio de Freitas (Republicanos), nas eleições de 2022, teriam ocorrido como parte de uma negociação envolvendo pagamento de vantagens indevidas.

Segundo o relato apresentado por Vorcaro em uma proposta de delação premiada, foram destinados R$ 2 milhões à campanha de Tarcísio e R$ 3 milhões à de Bolsonaro. A colaboração, porém, não avançou: a proposta foi rejeitada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República (PGR). As informações foram inicialmente divulgadas pelo UOL e posteriormente confirmadas por outros veículos.

Registros de doações de Fabiano Zettel para campanhas de Bolsonaro e Tarcísio de Freitas na campanha eleitoral de 2022 - Foto: Reprodução Divulgacandcontas / TSE

Os valores foram repassados oficialmente em nome de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e um dos investigados no âmbito da Operação Compliance Zero.

Na versão apresentada pelo ex-banqueiro, as doações seriam “contrapartidas financeiras” relacionadas a um suposto acerto com Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, para garantir a continuidade das operações do Credcesta junto ao Governo de São Paulo durante a gestão de Tarcísio.

De acordo com o relato, durante a campanha eleitoral de 2022, Augusto Lima, apontado como responsável pelas articulações de expansão do Credcesta, teria buscado assegurar a permanência do negócio diante da possibilidade de vitória de Tarcísio na disputa pelo governo paulista.

Vorcaro também declarou que a negociação teria envolvido outros R$ 10 milhões pagos em espécie a pessoas que, segundo ele, atuariam como intermediárias de Kassab. O dinheiro, conforme a versão apresentada na tentativa de colaboração, seria destinado a campanhas do PSD.

O interesse do grupo ligado ao Banco Master, ainda segundo Vorcaro, estaria relacionado à manutenção das operações de crédito consignado envolvendo servidores estaduais.

Na proposta de delação, o ex-banqueiro afirma que, além da manutenção de um percentual de 5% dos resultados líquidos da operação, teria sido exigida contribuição financeira para campanhas do PSD e de outras legendas apoiadas por Kassab.

Vorcaro sustenta ainda que a contrapartida esperada teria ocorrido, apontando que a operação do Credcesta continuou funcionando no Estado por mais de um ano. Posteriormente, em dezembro de 2024, o Governo de São Paulo publicou decreto que permitiu a atuação de outras instituições no segmento.

Os relatos fazem parte de uma proposta de colaboração que não foi homologada. Conforme informações publicadas pela imprensa, PF e PGR recusaram o acordo apresentado pelo ex-banqueiro.

Tarcísio nega conhecimento sobre possíveis irregularidades

Em nota, o governador Tarcísio de Freitas afirmou não possuir vínculo ou relação com o doador mencionado e declarou que não tinha conhecimento prévio de eventuais condutas externas à campanha.

Segundo Tarcísio, a prestação de contas eleitoral foi apresentada regularmente e aprovada pela Justiça Eleitoral.

O governador também destacou que a PKL One Participações S.A., empresa responsável pelo cartão Credcesta, foi credenciada como consignatária em maio de 2022, ainda durante a administração estadual anterior à sua posse.

De acordo com a manifestação do governo paulista, as operações da empresa foram suspensas em 19 de fevereiro de 2026, após a liquidação extrajudicial das instituições envolvidas.

Tarcísio acrescentou que o credenciamento não configura contrato com o Estado nem prevê transferência de recursos públicos. Segundo ele, trata-se de uma autorização para que servidores possam escolher entre instituições habilitadas para contratar operações consignadas.

Kassab classifica relato como “fantasioso”

Gilberto Kassab também contestou as declarações de Vorcaro. Em nota, o presidente do PSD classificou o relato como “fantasioso” e afirmou nunca ter tratado de doações eleitorais com Daniel Vorcaro ou Augusto Lima.

Kassab declarou ainda que não possui relação com Vorcaro, que nunca conversou com o ex-banqueiro pessoalmente ou por telefone e que, apesar de conhecer Augusto Lima e Thiago Botelho, jamais discutiu com eles assuntos relacionados ao Credcesta.

O dirigente partidário também negou ter recebido valores em espécie ou participado de negociações envolvendo contribuições financeiras.

As acusações, portanto, permanecem como declarações atribuídas a Vorcaro em uma proposta de delação rejeitada, e são contestadas pelos citados.

Jair Bolsonaro foi procurado pela imprensa para comentar as declarações, mas, na publicação original da informação, ainda não havia apresentado resposta.

Fonte: CNN Brasil

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