Mercado espera novo corte dos juros nesta quarta-feira, apesar das incertezas externas e da alta do petróleo provocada pela guerra no Oriente Médio
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| Crédito: Raphael Ribeiro/BCB |
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne nesta quarta-feira (16) e a expectativa predominante no mercado financeiro é de um novo corte na taxa básica de juros da economia. A projeção é de que a Selic passe dos atuais 14% para 13,75% ao ano, o que representaria a quinta redução consecutiva promovida pela autoridade monetária.
Caso a previsão seja confirmada, a taxa atingirá o menor nível desde março de 2025, aproximadamente um ano e meio atrás. A decisão será anunciada pelo Banco Central após as 18h.
A Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação. Alterações na taxa influenciam o custo dos empréstimos, dos financiamentos e do crédito em geral, além de repercutirem sobre o consumo, os investimentos e a atividade econômica.
Apesar da sequência de cortes, os juros brasileiros continuam elevados quando considerada a taxa real, ou seja, descontada a inflação projetada para os próximos 12 meses. Nesse critério, o Brasil permanece entre os países com os maiores juros reais do mundo.
As projeções atuais do mercado indicam ainda que a Selic poderá encerrar 2026 em 13,75% ao ano. Se essa previsão se confirmar, o movimento desta quarta-feira será o último corte promovido pelo Copom neste ano.
Cenário externo aumenta grau de incerteza
A expectativa de redução dos juros permanece mesmo diante do agravamento das tensões no cenário internacional, especialmente por causa da continuidade da guerra no Oriente Médio e de seus reflexos sobre os preços do petróleo.
A valorização da commodity representa uma fonte adicional de preocupação para a inflação brasileira, já que pode provocar elevação dos preços dos combustíveis e aumentar custos de transporte, produção e distribuição de mercadorias.
Na última semana, o governo federal anunciou redução de tributos e a manutenção de subsídios aos combustíveis como forma de diminuir, no mercado interno, os efeitos da alta internacional do petróleo.
Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump declarou recentemente esperar que a guerra contra o Irã seja encerrada após as eleições legislativas norte-americanas de novembro.
O Itaú também trabalha com a expectativa de redução da Selic para 13,75% ao ano nesta quarta-feira. Na avaliação da instituição financeira, o cenário doméstico combina moderação da atividade econômica com um mercado de trabalho que continua aquecido.
O banco destaca ainda que os indicadores mais recentes de inflação apresentam comportamento mais favorável, principalmente entre alimentos e bens industriais. As expectativas inflacionárias, entretanto, continuam afastadas do centro da meta estabelecida pelo Banco Central.
No cenário internacional, a instituição aponta como fatores de atenção a pressão sobre os juros norte-americanos, a intensificação das tensões no Oriente Médio e a consequente volatilidade nas cotações do petróleo.
Como o Copom decide a taxa de juros
As decisões do Copom levam em consideração principalmente as perspectivas para a inflação nos meses seguintes. O Banco Central trabalha dentro do sistema de metas e utiliza a Selic para tentar aproximar a inflação do objetivo estabelecido.
Quando as projeções indicam que os preços estão caminhando para níveis compatíveis com a meta, há espaço para redução dos juros. Em sentido contrário, quando as estimativas apontam inflação persistentemente elevada, o Banco Central pode interromper os cortes ou até aumentar a taxa.
Desde o início de 2025, o país adota o sistema de meta contínua de inflação. O objetivo central está fixado em 3%, com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%.
Em junho, após a inflação permanecer durante seis meses consecutivos acima do limite estabelecido, o Banco Central precisou divulgar uma carta pública apresentando as razões para o descumprimento da meta.
As decisões sobre a Selic não levam em consideração apenas a inflação observada nos meses anteriores. O Copom trabalha principalmente com projeções futuras, porque alterações nos juros levam tempo para produzir seus efeitos completos sobre a economia.
As estimativas utilizadas pelo Banco Central indicam que uma mudança na taxa básica pode levar de seis a 18 meses para repercutir integralmente sobre atividade econômica e inflação.
Por esse motivo, neste momento, a autoridade monetária já considera em suas decisões o comportamento esperado dos preços até o primeiro trimestre de 2028.
As projeções atuais do mercado financeiro indicam inflação de 4,9% em 2026, 4,3% em 2027 e 3,8% em 2028. Todos esses números permanecem acima da meta central de 3% estabelecida para o país.
Fonte: G1
