Milton Leite nega fuga, afirma inocência e diz que vai se apresentar às autoridades em até 24 horas; Polícia Civil o considera foragido após não encontrá-lo em casa
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| Milton Leite (União Brasil), ex-presidente da Câmara de SP — Foto: Paulo Gomes/TV Globo |
O ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil) afirmou nesta quinta-feira (17) que é inocente, negou estar foragido e informou que pretende se apresentar às autoridades no prazo de até 24 horas. Ele é alvo da Operação Vectura Corrupta, realizada pelo Ministério Público e pela Polícia Civil de São Paulo.
Milton Leite possui mandado de prisão expedido no âmbito da investigação, que apura suspeitas de atuação criminosa envolvendo empresas do sistema de transporte coletivo e possíveis vínculos com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo informações divulgadas pela GloboNews, os investigadores apuram se decisões consideradas estratégicas relacionadas a empresas de transporte suspeitas de ligação com a facção passavam pelo conhecimento ou pela aprovação política do ex-vereador.
Por meio de nota encaminhada por sua assessoria, Milton Leite afirmou estar viajando e disse que pretende se apresentar.
“Estou em viagem, não estou foragido, e vou me apresentar às autoridades em até 24 horas. Vou provar minha inocência em todas as acusações”, declarou.
Em entrevista por telefone à TV Globo, o ex-parlamentar também classificou a operação como uma possível “perseguição” e negou as acusações.
“Me parece ser perseguição. Nego qualquer acusação das afirmações apresentadas. Que apresente uma única prova”, afirmou. Em seguida, reiterou que não está foragido e que irá se apresentar.
A Polícia Civil, entretanto, considera Milton Leite foragido porque ele não foi encontrado no endereço onde os agentes tentaram cumprir o mandado de prisão.
De acordo com a apuração divulgada pela GloboNews, policiais passaram a tratá-lo como fugitivo diante das circunstâncias verificadas durante a diligência. Agentes permaneceram no imóvel para cumprir também mandado de busca e apreensão.
Informações obtidas durante a ação indicam que Milton teria permanecido em casa até a tarde de quarta-feira (16). Uma funcionária informou aos policiais que ele saiu durante a noite para participar de um compromisso relacionado à campanha eleitoral.
Ex-presidente da SPTrans também é preso
Além do mandado contra Milton Leite, a operação resultou na prisão de Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da São Paulo Transporte S.A. (SPTrans), e de Danilo Marco Morgado Silva, ex-candidato à Prefeitura de Praia Grande e atual candidato a deputado estadual.
A SPTrans é a empresa municipal responsável pelo planejamento, programação e fiscalização do sistema de ônibus da capital paulista.
Ao todo, a Operação Vectura Corrupta busca cumprir 16 mandados de prisão e 18 mandados de busca e apreensão. As diligências ocorrem em São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão.
Investigação apura influência sobre empresas de transporte
De acordo com informações atribuídas aos investigadores, a apuração aponta que decisões envolvendo empresas de transporte suspeitas de manter relações com integrantes do PCC dependeriam do conhecimento ou da aprovação política de Milton Leite.
A linha investigativa teria sido construída a partir da análise de interceptações envolvendo operadores do esquema e de elementos reunidos em outras investigações sobre a atuação do ex-parlamentar.
No pedido judicial que fundamentou a operação, Milton Leite é citado, segundo a reportagem, como responsável direto pela operação de algumas empresas que seriam controladas pela organização criminosa.
O documento também faz referência a declarações prestadas por policiais militares em procedimento no Tribunal de Justiça Militar (TJM), segundo as quais o ex-vereador seria o proprietário de fato da empresa Transwolff. As afirmações fazem parte da investigação e são contestadas por Milton Leite.
O político deixou a Câmara Municipal de São Paulo em 2024, após exercer sete mandatos como vereador e ocupar por quatro vezes a presidência da Casa. Atualmente, preside o diretório municipal do União Brasil em São Paulo e, em julho, foi eleito presidente estadual da Federação União Progressista, formada pelo União Brasil e pelo Progressistas (PP).
A Operação Vectura Corrupta é conduzida pela Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes de Mogi das Cruzes, com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo.
Operação é desdobramento de investigações anteriores
A nova fase das investigações é apresentada pelas autoridades como um desdobramento de operações anteriores voltadas à apuração de possíveis relações entre integrantes do PCC, empresas, agentes públicos e estruturas políticas.
Em abril de 2026, a Operação Contaminatio investigou uma fintech que, segundo as autoridades, seria utilizada pela organização criminosa para movimentar recursos e tentar ampliar sua presença em administrações municipais.
A investigação apontou que o grupo buscava utilizar a empresa de tecnologia financeira para administrar o recebimento de tributos e taxas e estabelecer contato direto com contribuintes. Naquela etapa, foram investigadas redes de doleiros e operadores de criptoativos suspeitos de participação em lavagem de dinheiro.
A origem da apuração remonta ainda à Operação Decurio, deflagrada em agosto de 2024. Na ocasião, após a apreensão de aproximadamente 30 quilos de drogas em Itaquaquecetuba, investigadores analisaram dados encontrados no celular da mulher de um dos integrantes da facção.
Segundo a investigação, as informações contribuíram para identificar integrantes da chamada “Sintonia Final” e para localizar uma estrutura financeira que teria movimentado cerca de R$ 8 bilhões.
Foi também durante essa etapa que surgiram indícios, segundo as autoridades, de uma possível atuação política vinculada à organização criminosa, incluindo suspeitas de financiamento de campanhas eleitorais e envolvimento de servidores comissionados de prefeituras paulistas.
Milton Leite nega participação em atividades criminosas e afirma que pretende demonstrar sua inocência no decorrer das investigações.
Fonte: G1
