Nobel da Paz 2026 é concedido a Navi Pillay, jurista sul-africana que combateu o apartheid e julgou genocídio em Ruanda

Nobel da Paz 2026 é concedido a Navi Pillay, jurista sul-africana que combateu o apartheid e julgou genocídio em Ruanda

Navi Pillay em 2011, quando era Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos — Foto: REUTERS/Valentin Flauraud/Foto de Arquivo


A jurista sul-africana Navanethem “Navi” Pillay, de 85 anos, foi anunciada nesta sexta-feira (9) como vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2026. O reconhecimento foi concedido pelo Comitê Norueguês do Nobel, em Oslo, por sua contribuição à promoção da paz, à defesa dos direitos humanos e ao fortalecimento da justiça internacional.

Nascida em Durban, na África do Sul, em uma família de origem indiana, Pillay iniciou sua carreira enfrentando o regime do apartheid, sistema de segregação racial que vigorou no país até a década de 1990. Durante esse período, atuou na defesa de presos políticos, incluindo Nelson Mandela, que posteriormente a nomeou para o Tribunal Superior sul-africano, tornando-a a primeira mulher não branca a integrar aquela instância judicial.

Sua carreira ganhou projeção internacional com a atuação no Tribunal Penal Internacional para Ruanda, responsável por julgar os envolvidos no genocídio de 1994. Pillay presidiu a instituição e participou de decisões históricas que reconheceram a violência sexual como possível instrumento de genocídio.

Entre 2008 e 2014, ocupou o cargo de Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, defendendo a responsabilização de governos por violações de direitos fundamentais.

Mais recentemente, presidiu uma comissão independente de investigação vinculada à ONU que, em setembro de 2025, concluiu que Israel cometeu genocídio contra palestinos na Faixa de Gaza. O governo israelense rejeitou as acusações. As conclusões da comissão não representam uma sentença judicial definitiva.

Prêmio Nobel da Paz 2026 vai para a sul-africana Navanethem 'Navi' Pillay — Foto: Nobel/Divulgação


Ao anunciar a premiação, o presidente do Comitê Norueguês do Nobel, Jørgen Watne Frydnes, destacou a coragem e a integridade da jurista, ressaltando a importância de proteger as instituições internacionais diante de ataques ao sistema jurídico global.

A escolha também repercutiu politicamente, especialmente pelas referências ao presidente norte-americano Donald Trump, que já havia manifestado interesse em receber o prêmio.

Navi Pillay receberá 12 milhões de coroas suecas, aproximadamente R$ 6 milhões, além de uma medalha e um diploma. A cerimônia de entrega está marcada para 10 de dezembro, em Oslo.

Com mais de cinco décadas dedicadas à justiça, Pillay é reconhecida como uma das principais defensoras da aplicação do direito internacional na proteção dos direitos humanos e na responsabilização por crimes contra a humanidade.

Fonte: G1

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