Caso registrado em Porto levou à decretação de emergência zoossanitária por 180 dias em todo o território piauiense
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| Foto: Acervo / Cidadeverde.com |
O Governo do Piauí interditou uma propriedade rural no município de Porto, no Norte do estado, após a confirmação de um foco de peste suína clássica, e determinou o sacrifício sanitário de 27 suínos. A medida integra o conjunto de ações adotadas após o decreto de emergência zoossanitária, válido por 180 dias em todo o território estadual, com o objetivo de conter a disseminação da doença.
O caso foi confirmado por exame laboratorial no dia 31 de dezembro, após o próprio criador identificar sinais atípicos nos animais e comunicar a Agência de Defesa Agropecuária do Piauí (Adapi). Técnicos realizaram vistoria na propriedade, coletaram material para análise e confirmaram a presença do vírus em laboratório credenciado.
De acordo com o secretário de Estado da Assistência Técnica e Defesa Agropecuária (SADA), Fábio Abreu, a notificação precoce foi fundamental para a rápida adoção das medidas sanitárias. Segundo ele, os sinais clínicos observados nos animais eram compatíveis com a peste suína clássica, o que levou ao acionamento imediato do protocolo de contenção.
A propriedade atingida possui características de granja, com criação de suínos de raça pura. As investigações iniciais apontam que a introdução recente de duas matrizes oriundas de outra região pode ter sido a principal via de entrada do vírus no criatório. Conforme o secretário, essas matrizes teriam sido adquiridas em local onde já havia registro de mortes suspeitas em animais.
Fábio Abreu alertou que, embora a região Norte do Piauí tenha tradição de criação de animais soltos — o que facilita a rápida disseminação do vírus —, neste caso específico os suínos estavam confinados. Ainda assim, a inserção de animais sem controle sanitário rigoroso representou risco elevado à sanidade do plantel.
Após a confirmação da doença, a propriedade foi imediatamente interditada, e os animais foram sacrificados conforme os protocolos sanitários. O decreto de emergência permite maior agilidade na adoção de medidas como indenização aos proprietários, ampliação da fiscalização e intensificação das ações de vigilância.
A SADA informou que equipes técnicas passaram a monitorar propriedades no entorno do foco identificado, com investigação ativa para verificar a existência de outros animais com sintomas semelhantes. O secretário reforçou o pedido para que qualquer alteração no comportamento ou na saúde dos suínos seja comunicada imediatamente às autoridades sanitárias.
O estado também avalia, em parceria com o Ceará, a realização de campanhas de vacinação contra a peste suína. Atualmente, a região Sul do Piauí é considerada área livre da doença.
Doença não é transmitida a humanos
Segundo o gerente de Defesa Animal da SADA, Edílio Moura, a população não precisa se preocupar quanto ao consumo de carne suína, pois a peste suína clássica não é transmitida aos seres humanos. Ele explicou que a enfermidade é causada por um vírus altamente contagioso entre suínos domésticos e javalis, podendo provocar alta mortalidade nos animais.
Entre os principais sintomas da doença estão febre alta, manchas hemorrágicas, paralisia, aglomeração anormal dos animais e mortes rápidas. Apesar de não representar risco à saúde humana, a peste suína clássica gera impactos significativos à produção agropecuária, à renda dos criadores e ao comércio de animais.
As autoridades reforçam que a colaboração dos produtores, com notificação imediata de qualquer suspeita, é essencial para evitar a propagação da doença e proteger a suinocultura no estado.
Fonte: Cidade Verde
