Criminosos usam dados reais e videochamadas em golpe do falso advogado no Piauí

Fraude cresce mais de 400% em 2025 e passa a liderar ranking de crimes virtuais no estado

Foto: Arquivo/Cidadeverde.com

O golpe do falso advogado continua se espalhando pelo Piauí e se consolidou, ao longo de 2025, como a fraude virtual mais recorrente no estado. Levantamento divulgado em dezembro, a partir do monitoramento do projeto Alerta Digital, realizado pelo Ministério Público do Estado do Piauí (MP-PI) em parceria com a Secretaria de Segurança Pública (SSP-PI), aponta que esse tipo de crime registrou um crescimento alarmante de 461% no período.

Os dados mostram que o golpe saiu da oitava posição no ranking de fraudes virtuais, em janeiro de 2025, para ocupar o primeiro lugar em novembro do mesmo ano, evidenciando a sofisticação das práticas criminosas e a vulnerabilidade das vítimas diante de abordagens cada vez mais convincentes.

De acordo com o levantamento, os estelionatários utilizam informações reais de processos judiciais para dar credibilidade às abordagens. Em muitos casos, os criminosos monitoram andamentos processuais públicos ou obtêm dados de forma indevida, passando a ter acesso a nomes completos, números de telefone, tipo de ação e detalhes da causa.

Com essas informações em mãos, os golpistas criam perfis falsos no WhatsApp, utilizando a foto e o nome do advogado que atua no processo da vítima. Para justificar o contato feito a partir de um número desconhecido, eles se apresentam como “advogado associado”, “secretário do escritório” ou outro profissional supostamente habilitado que trabalharia em conjunto com o defensor real.

A abordagem geralmente vem acompanhada do que as autoridades chamam de “falsa boa notícia”. A vítima é informada de que o processo foi ganho ou que um alvará judicial foi liberado. Em seguida, os criminosos afirmam que, para que o valor seja liberado, é necessário o pagamento imediato de taxas, custas ou impostos, solicitando transferências via Pix.

Uma das estratégias mais recentes e consideradas mais perigosas envolve o uso de videochamadas. Segundo o MP-PI e a SSP-PI, os golpistas pedem que a vítima participe de uma chamada de vídeo para realizar um suposto “procedimento técnico” ou “reconhecimento facial” exigido pelo banco. Durante a chamada, convencem a pessoa a compartilhar a tela do celular, o que permite aos criminosos visualizar o saldo bancário e orientar, passo a passo, a realização das transferências financeiras.

O advogado criminalista Lucas Elvas alerta que a principal forma de prevenção é nunca realizar transferências financeiras sem confirmar pessoalmente a informação com o advogado responsável pelo processo. “Os advogados mantêm contato direto com seus clientes. Qualquer pedido de pagamento deve ser confirmado pessoalmente ou por um canal seguro já conhecido. Nunca faça um Pix sem falar diretamente com seu advogado”, orienta.

Elvas também ressalta que, em caso de golpe, a vítima deve registrar imediatamente um boletim de ocorrência e comunicar a instituição financeira. “Hoje o Banco Central regulamentou mecanismos de devolução de Pix, e as instituições financeiras têm responsabilidade nesses casos. A Súmula 479 do STJ estabelece que, diante do risco inerente à atividade bancária, a instituição pode ser responsabilizada, especialmente quando permite a abertura de contas usadas para golpes”, explica.

As autoridades reforçam que a prevenção passa pela desconfiança de contatos inesperados, pela verificação direta das informações e pela recusa em compartilhar dados pessoais ou bancários, especialmente em chamadas de vídeo. A recomendação é clara: diante de qualquer pedido de pagamento relacionado a processos judiciais, confirme sempre com o advogado de confiança antes de tomar qualquer decisão.

Fonte: Cidade Verde

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