Números do Ministério da Justiça revelam que quatro mulheres são assassinadas por dia; São Paulo lidera o ranking de casos em 2025
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| Foto: Unsplash - A maioria dos crimes cometidos por arma de fogo, em 2025, foi no Recife (PE) |
Em um recorte de dez anos, o crescimento desse tipo de crime chega a 175%. Em 2015, o Brasil registrava 535 feminicídios. Desde então, os números avançaram de forma contínua, revelando a persistência da violência contra a mulher e a dificuldade do Estado em conter esse tipo de crime.
A evolução anual dos casos evidencia a gravidade do cenário. Em 2016, foram contabilizados 803 assassinatos; em 2017, o número subiu para 1.049; em 2018, alcançou 1.176; e em 2019, chegou a 1.328 registros. Durante o período da pandemia, os índices se mantiveram elevados: 1.347 casos em 2020 e 1.364 em 2021. Nos anos seguintes, a escalada continuou, com 1.454 mortes em 2022, 1.458 em 2023, 1.464 em 2024 e o novo pico de 1.470 em 2025.
Ao todo, 13.448 mulheres foram mortas no Brasil nos últimos dez anos pelo simples fato de serem mulheres, resultando em uma média anual de 1.345 feminicídios.
Entre os estados e cidades, São Paulo aparece como o local com maior número absoluto de casos. Apenas em 2025, o estado registrou 233 feminicídios. Em seguida aparecem Minas Gerais, com 139 ocorrências; Rio de Janeiro, com 104; e Bahia, com 103 registros. Os dados reforçam que a violência de gênero está espalhada por todas as regiões do país, atingindo centros urbanos e áreas do interior.
Casos recentes reforçam a dimensão do problema. Na segunda-feira (19), foi encontrado em Curvelo, Minas Gerais, o corpo de Thais Mendes da Silva, de 24 anos, que estava desaparecida desde o dia 13 de janeiro. De acordo com a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), o ex-marido da vítima, Carlos Daniel Moreira Campos, também de 24 anos, foi preso e acusado de matar Thais e ocultar o cadáver.
As estatísticas também mostram que o feminicídio não ocorre apenas em relações afetivas ou conjugais. Na semana passada, no Ceará, um homem foi preso em flagrante após arremessar a própria mãe pela janela de um apartamento em Fortaleza. O suspeito foi autuado por tentativa de feminicídio, em um caso que chocou moradores da capital cearense.
Especialistas apontam que os números refletem falhas estruturais na prevenção, na proteção das vítimas e na responsabilização dos agressores. Apesar do avanço da legislação e da tipificação do feminicídio como crime hediondo, os dados revelam que a violência contra a mulher segue como um dos maiores desafios sociais e de segurança pública do país.
O cenário reacende o debate sobre a necessidade de políticas públicas mais eficazes, fortalecimento da rede de proteção às mulheres, ampliação de delegacias especializadas e campanhas permanentes de enfrentamento à violência de gênero, para que a escalada desses crimes seja finalmente contida.
Fonte: IG
