PF aponta mais de dez encontros entre Vorcaro e Toffoli e detalha repasses milionários

Relatório enviado ao STF cita reuniões presenciais, eventos sociais em Brasília e transferências de R$ 35 milhões ligadas a fundo associado ao banqueiro

Foto: Daniel Vorcaro e Dias ToffoliImagem: Reprodução

Um relatório da Polícia Federal encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) aponta que o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, teria se encontrado presencialmente com o ministro Dias Toffoli em mais de dez ocasiões entre 2023 e 2024. Segundo a investigação, os encontros ocorreram principalmente em eventos sociais na capital federal, como jantares e festas.

De acordo com a PF, as reuniões indicariam uma relação mais próxima do que a revelada nas conversas de WhatsApp já tornadas públicas, nas quais Toffoli convidou Vorcaro para sua festa de aniversário. O documento sustenta que os encontros reforçam indícios de vínculo além do contato institucional.

Na semana passada, Toffoli deixou a relatoria dos processos envolvendo o Banco Master após a entrega do relatório ao presidente do STF, ministro Edson Fachin. O caso foi redistribuído por sorteio ao ministro André Mendonça.

Durante reunião interna no Supremo, realizada após a apresentação do relatório, houve debate entre os ministros sobre o conteúdo das investigações. Segundo reportagem do Poder 360, o ministro Luiz Fux teria mencionado que Toffoli e Vorcaro tinham “seis minutos de conversa” registrados entre si, referência a dados analisados pela investigação. O vazamento de informações sobre essa reunião gerou tensão entre integrantes da Corte.

Além dos encontros, o relatório da PF menciona repasses de aproximadamente R$ 35 milhões do fundo Arleen, apontado como ligado a Vorcaro, para a empresa Maridt, da qual Toffoli é sócio ao lado de familiares. A investigação observa que os pagamentos ocorreram entre 2024 e 2025, período posterior à venda, em setembro de 2021, de uma participação societária relacionada a um resort ao fundo controlado por Fabiano Zettel, citado como gestor.

Para os investigadores, chamou atenção o intervalo entre a operação societária original e os repasses posteriores, mencionados em mensagens trocadas entre Zettel e Vorcaro.
Em nota divulgada anteriormente, Toffoli afirmou que desconhece o gestor do fundo Arleen e negou qualquer relação de amizade ou proximidade com Daniel Vorcaro. O ministro também declarou que jamais recebeu valores do banqueiro ou de pessoas a ele vinculadas.

Procurados para comentar os encontros citados no relatório, Toffoli e Vorcaro não se manifestaram até a última atualização das informações divulgadas.

Fonte: UOL

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