Chefe do contraterrorismo dos EUA renuncia e critica guerra contra o Irã

Joseph Kent deixa cargo após discordar da ofensiva militar e aponta influência externa no início do conflito

Joe Kent, se afasta do cargo de diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo dos EUA, Foto: Tom Williams/Getty Images

O diretor do Centro de Contraterrorismo dos Estados Unidos, Joseph Kent, anunciou sua renúncia ao cargo por meio de uma carta endereçada ao presidente Donald Trump, na qual expressa discordância direta com a guerra em curso contra o Irã. O documento foi divulgado publicamente nas redes sociais e marca uma das primeiras saídas de alto escalão motivadas por divergências políticas relacionadas ao conflito.

Na carta, Kent afirma que não pode, em consciência, apoiar a ofensiva militar. Segundo ele, a decisão de deixar o cargo foi tomada após um período de reflexão sobre os rumos da política externa americana.

“Não posso, em sã consciência, apoiar a guerra em curso no Irã”, escreveu o ex-diretor.

Kent se torna o primeiro integrante do governo a se desligar do posto explicitamente por discordar da guerra, em um movimento que chama atenção dentro da administração federal. O ex-chefe do contraterrorismo também questionou os fundamentos do conflito, afirmando que o Irã não representava uma ameaça iminente aos Estados Unidos no momento da escalada militar.

Em sua manifestação, o ex-oficial ainda atribuiu o início da guerra a pressões externas, mencionando a influência de Israel e de grupos de interesse. Ele também criticou o que classificou como uma “campanha de desinformação” conduzida por autoridades e setores da mídia, que, segundo ele, teria contribuído para o aumento do apoio público ao conflito.

Veterano da guerra do Iraque, com diversas missões em combate, Kent destacou sua experiência militar para reforçar a gravidade de sua decisão. Ele também mencionou a morte de sua esposa, militar condecorada, durante um conflito na Síria, como um fator que reforça sua posição contrária à continuidade de guerras no Oriente Médio.

“Não posso apoiar o envio de uma nova geração para lutar e morrer em uma guerra que não traz benefício ao povo americano nem justifica o custo de vidas”, afirmou.


Apesar das críticas, Kent reconheceu que compartilha valores defendidos por Trump em campanhas anteriores, especialmente no que diz respeito à crítica a intervenções militares prolongadas no Oriente Médio. No entanto, afirmou que a atual condução da política externa representa um afastamento dessas diretrizes.

O ex-diretor também fez um apelo direto ao presidente para que reavalie a estratégia adotada no conflito com o Irã, sugerindo que ainda há tempo para alterar o curso das ações militares.

Kent era considerado um dos principais nomes da área de segurança nacional dos Estados Unidos e atuava como conselheiro próximo da diretora de Inteligência Nacional, Tulsi Gabbard. Até o momento, a Casa Branca e o gabinete de Inteligência Nacional não se manifestaram oficialmente sobre a renúncia.

Conflito já deixou milhares de mortos

A guerra entre os Estados Unidos e o Irã já deixou mais de 2 mil mortos desde o início dos confrontos, em 28 de fevereiro, segundo levantamento da agência Reuters. O conflito também atingiu outros países da região, ampliando seu alcance e impacto.

O Irã concentra o maior número de vítimas, com cerca de 1,3 mil mortes confirmadas. No Líbano, que entrou no conflito após ações do grupo Hezbollah em apoio ao governo iraniano, já foram registrados 773 mortos.

Entre as forças americanas, ao menos 13 militares morreram, sendo parte das vítimas decorrente da queda de uma aeronave militar no Iraque e outras em confrontos diretos durante operações na região.

A renúncia de Joseph Kent ocorre em meio a um cenário de crescente tensão internacional e amplia o debate interno nos Estados Unidos sobre os custos, motivações e consequências da guerra no Oriente Médio.

Fonte: UOL 

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