Copom se reúne sob pressão da alta do petróleo e decide rumo da Selic nesta quarta-feira

Mercado projeta corte de 0,25 ponto percentual nos juros, enquanto guerra no Oriente Médio eleva incertezas sobre inflação

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central inicia, nesta quarta-feira, mais uma reunião decisiva para a economia brasileira, em um cenário marcado por incertezas no mercado internacional, especialmente devido à alta do petróleo provocada pela guerra no Oriente Médio.

A expectativa predominante entre analistas do mercado financeiro é de que o Banco Central opte por um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, movimento que indicaria continuidade de uma política monetária mais flexível. No entanto, o ambiente externo instável e as pressões inflacionárias podem influenciar o ritmo dessa redução.

Inflação ainda gera incerteza

O comportamento da inflação segue como um dos principais pontos de atenção. A prévia da inflação oficial, medida pelo IPCA-15, registrou alta de 0,7% em fevereiro, impulsionada principalmente pelos gastos com educação. Apesar disso, o índice acumulado em 12 meses recuou para 3,81%, ficando abaixo de 4% pela primeira vez desde maio de 2024.

Mesmo com esse alívio recente, as projeções apontam tendência de alta. Segundo o boletim Focus, a estimativa de inflação para 2026 subiu de 3,8% para 4,1%, refletindo os impactos do cenário internacional, especialmente o conflito no Oriente Médio e seus efeitos sobre os preços de energia.

Esse patamar se aproxima do limite superior da meta contínua de inflação, estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em 3%, com margem de tolerância que vai de 1,5% a 4,5%.

Selic e seus efeitos na economia

A taxa Selic é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação. Definida nas reuniões do Copom, ela serve de referência para os juros praticados em toda a economia, influenciando desde o crédito ao consumidor até os investimentos.

Quando os juros sobem, o objetivo é conter a demanda e reduzir a pressão sobre os preços, tornando o crédito mais caro e incentivando a poupança. Por outro lado, a redução da Selic tende a estimular o consumo e a produção, ao baratear o crédito e incentivar a atividade econômica.

No entanto, a definição das taxas de juros no mercado não depende apenas da Selic. Instituições financeiras também consideram fatores como risco de inadimplência, custos operacionais e margens de lucro ao definir as taxas cobradas dos consumidores.

Como funciona a reunião do Copom

O Copom se reúne a cada 45 dias para definir a política monetária do país. No primeiro dia do encontro, são realizadas apresentações técnicas sobre o cenário econômico nacional e internacional, além da análise do comportamento dos mercados.

Já no segundo dia, os membros do comitê, composto pela diretoria do Banco Central, avaliam os dados e definem a taxa básica de juros, que será anunciada ao final da reunião.

Novo modelo de meta contínua

Desde janeiro de 2025, o Brasil adota o sistema de meta contínua de inflação, que altera a forma de acompanhamento do índice. Nesse modelo, a meta de 3% é avaliada com base na inflação acumulada em 12 meses, com verificação mensal.

Isso significa que, em vez de considerar apenas o índice fechado ao final de cada ano, a análise passa a ser contínua ao longo do tempo, permitindo maior flexibilidade e acompanhamento mais dinâmico do comportamento dos preços.

No último Relatório de Política Monetária, divulgado pelo Banco Central, a previsão era de que o IPCA encerrasse 2026 em 3,5%, mas esse número poderá ser revisado diante das novas pressões inflacionárias e do cenário global mais instável.

Com a combinação de inflação ainda incerta, guerra pressionando os preços do petróleo e expectativas do mercado, a decisão do Copom nesta semana será determinante para os rumos da economia brasileira nos próximos meses.

Fonte: Agência Brasil 

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