Polícia Federal afirma que estrutura de vigilância coordenada por aliado de Vorcaro acessava dados sigilosos para monitorar autoridades, jornalistas e adversários
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| Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil |
Investigações conduzidas pela Polícia Federal revelaram que integrantes de um grupo ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro teriam acessado indevidamente sistemas restritos de órgãos de investigação nacionais e internacionais, incluindo bases da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal, além de organismos como o FBI e a Interpol.
As informações constam na decisão judicial que fundamentou a nova fase da Operação Compliance Zero, responsável pela prisão de Vorcaro, do empresário Fabiano Zettel, seu cunhado, e de outros investigados apontados como integrantes do esquema.
Acesso indevido a bases sigilosas
Segundo a investigação, o responsável direto pelas consultas aos sistemas restritos seria Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Felipe Mourão ou “Sicário”. Ele é apontado como operador encarregado de acessar e extrair informações sigilosas de bancos de dados utilizados por órgãos de segurança e investigação.
De acordo com os investigadores, Mourão utilizava credenciais funcionais pertencentes a terceiros para acessar essas plataformas, o que permitia obter informações protegidas por sigilo institucional.
A Polícia Federal afirma que, por meio desse método, o investigado teria conseguido consultar bases internas da própria PF, do Ministério Público Federal e até de organismos internacionais como o FBI e a Interpol.
Monitoramento de autoridades e jornalistas
Os dados obtidos nos sistemas teriam sido utilizados para monitorar autoridades públicas, jornalistas e outras pessoas consideradas de interesse da organização. As informações coletadas eram repassadas a integrantes do grupo responsáveis pela tomada de decisões estratégicas.
Segundo a investigação, esse material também era usado para orientar ações voltadas à remoção de conteúdos e perfis em plataformas digitais considerados prejudiciais aos interesses do grupo.
Estrutura privada de vigilância
Mourão é apontado pelos investigadores como coordenador operacional de uma estrutura interna de vigilância chamada de “Turma”, criada para atender aos interesses do grupo ligado ao Banco Master.
De acordo com a decisão judicial, ele executava ordens relacionadas ao monitoramento de alvos, extração ilegal de dados em sistemas restritos e ações de intimidação física ou moral contra pessoas consideradas adversárias.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, descreve na decisão que a organização investigada possuía uma estrutura hierarquizada com diferentes núcleos e funções definidas.
Núcleo central da organização
Segundo a Polícia Federal, o topo da estrutura seria ocupado por Daniel Vorcaro, apontado como líder do grupo e controlador do Banco Master. Ele teria papel central na definição de estratégias financeiras e na autorização de ações de monitoramento e intimidação contra desafetos e jornalistas.
O núcleo operacional também incluiria Fabiano Campos Zettel, responsável pela operacionalização de pagamentos e contratos simulados, e Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado que, segundo os investigadores, utilizava sua experiência e contatos na área policial para obter informações sigilosas e realizar vigilância clandestina.
Nova fase da operação
As suspeitas de invasão de sistemas fazem parte da investigação que levou à terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quarta-feira (4).
Na decisão que autorizou as medidas judiciais, o ministro André Mendonça apontou indícios da existência de uma organização criminosa com atuação estruturada, possível envolvimento em danos bilionários ao sistema financeiro e risco de interferência nas investigações.
A operação atende a pedidos da Polícia Federal que apuram crimes como corrupção, lavagem de dinheiro, invasão de dispositivos informáticos, obstrução de justiça e infrações contra o sistema financeiro nacional.
Além de Vorcaro, foram alvo das medidas judiciais Fabiano Zettel, Luiz Phillipi Mourão e o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva, todos investigados por participação nas atividades do grupo.
Fonte: G1
