Terceira etapa da investigação apura crimes como corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de sistemas; Justiça também determinou bloqueio de até R$ 22 bilhões em bens
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| Imagens: Claudio Gatti/Brazil Economy |
A Polícia Federal prendeu novamente o banqueiro Daniel Vorcaro nesta quarta-feira (4), durante a terceira fase da Operação Compliance Zero. A prisão foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, atual relator do caso na Corte.
Além da prisão do banqueiro, a operação cumpre três mandados de prisão preventiva e 15 mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo e Minas Gerais. Entre os alvos está o empresário Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro.
Segundo a Polícia Federal, a nova etapa da investigação busca apurar a possível prática de crimes como ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, supostamente cometidos por uma organização criminosa ligada ao caso conhecido como “fraude do Master”.
Bloqueio bilionário de bens
A decisão judicial também determinou o afastamento de investigados de cargos públicos e o sequestro e bloqueio de bens no valor de até R$ 22 bilhões. A medida tem como objetivo interromper a movimentação de ativos ligados ao grupo investigado e preservar recursos que possam estar relacionados às práticas ilícitas.
De acordo com a Polícia Federal, as investigações contam com apoio técnico do Banco Central do Brasil.
Mudança na relatoria do caso
A operação desta quarta-feira é a primeira autorizada pelo ministro André Mendonça desde que ele assumiu a relatoria do processo no Supremo. O caso chegou ao STF após decisão do ministro Dias Toffoli, que aceitou um pedido da defesa de Vorcaro para retirar a investigação da primeira instância.
Posteriormente, Toffoli deixou a condução do processo após a Polícia Federal encaminhar ao presidente do STF, Edson Fachin, um relatório que mencionava conversas entre o magistrado e o banqueiro investigado. O próprio ministro admitiu ser sócio de uma empresa que recebeu pagamentos de Vorcaro.
Segunda prisão do banqueiro
Esta é a segunda vez que Daniel Vorcaro é preso no âmbito da operação. Em novembro do ano passado, ele foi detido no Aeroporto Internacional de São Paulo-Guarulhos enquanto se preparava para embarcar rumo a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
Na ocasião, Vorcaro afirmou que a viagem tinha como objetivo formalizar a venda do banco Master a investidores estrangeiros. Onze dias depois, no entanto, ele foi solto por decisão da desembargadora Solange Salgado, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, que entendeu que medidas cautelares como uso de tornozeleira eletrônica e retenção do passaporte seriam suficientes para garantir o andamento das investigações.
A defesa do banqueiro ainda não havia se manifestado oficialmente até a publicação desta reportagem.
Fonte: UOL
