Reunião marca despedida de parte da equipe e abre espaço para mudanças no governo antes do prazo de desincompatibilização
![]() |
| Lula e Alckmin em cerimônia — Foto: Ricardo Stuckert/PR |
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou nesta semana que o vice-presidente Geraldo Alckmin seguirá na chapa para a reeleição. Durante reunião ministerial realizada em Brasília, o chefe do Executivo também anunciou que ao menos 18 ministros devem deixar seus cargos para disputar as eleições.
O encontro teve caráter de despedida para parte da equipe, em razão do prazo legal de desincompatibilização. Segundo Lula, pelo menos 14 ministros já confirmaram a saída, enquanto outros quatro ainda devem formalizar a decisão. Foi a primeira vez que o presidente tratou do tema de forma pública.
Ao comentar a permanência de Alckmin na chapa, Lula destacou que o vice também precisará deixar o cargo no Executivo para disputar novamente o posto. “Ele vai ter que sair porque é candidato a vice-presidente outra vez, e deixará o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços”, afirmou.
Nos bastidores, havia especulações sobre uma possível mudança na composição da chapa, com a eventual saída de Alckmin para disputar cargos como o Senado ou o governo de São Paulo. A movimentação abriria espaço para acomodar partidos do centrão. No entanto, o vice-presidente optou por permanecer na posição atual, decisão que também foi consolidada após falta de interesse de outras siglas.
Entre os partidos, o PSD decidiu lançar o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, à Presidência da República. Já o MDB optou por manter uma postura independente, apesar de ocupar ministérios na atual gestão.
No âmbito das mudanças, o presidente confirmou a permanência de Miriam Belchior na Casa Civil, além de reforçar a estratégia de substituição por secretários-executivos nas pastas que ficarão vagas. O ministro Rui Costa deverá deixar o cargo para disputar o Senado pela Bahia.
A reunião também foi a primeira sem Fernando Haddad, que deixou o Ministério da Fazenda para disputar o governo de São Paulo. Em seu lugar, assumiu o então secretário-executivo Dario Durigan.
Outras movimentações incluem a possível troca no comando da Agricultura, com André de Paula sendo cotado para assumir a pasta no lugar de Carlos Fávaro, que deve disputar o Senado por Mato Grosso.
A lista de ministros que devem deixar o governo inclui nomes de diferentes partidos e regiões, refletindo a reorganização política para o pleito:
– André Fufuca (PP), do Esporte, deve disputar vaga na Câmara pelo Maranhão
– Anielle Franco (PT), da Igualdade Racial, deve concorrer à Câmara pelo Rio de Janeiro
– Gleisi Hoffmann (PT), da Secretaria de Relações Institucionais, deve disputar o Senado pelo Paraná
– Jader Filho (MDB), das Cidades, deve buscar vaga na Câmara pelo Pará
– Macaé Evaristo (PT), dos Direitos Humanos, deve concorrer à Assembleia de Minas Gerais
– Marina Silva (Rede), do Meio Ambiente, deve disputar o Senado por São Paulo
– Paulo Teixeira (PT), do Desenvolvimento Agrário, deve tentar reeleição à Câmara por São Paulo
– Renan Filho (MDB), dos Transportes, deve disputar o governo de Alagoas
– Silvio Costa Filho (Republicanos), de Portos e Aeroportos, deve concorrer à Câmara por Pernambuco
– Sônia Guajajara (PSOL), dos Povos Indígenas, deve disputar vaga na Câmara por São Paulo
– Waldez Góes (PDT), do Desenvolvimento Regional, deve disputar o Senado pelo Amapá
O prazo final para desincompatibilização termina no próximo sábado (4), e o presidente não descartou novas saídas até lá. “Quem sabe mais alguns, porque até quinta-feira à noite ainda dá tempo de me avisar”, afirmou Lula, sinalizando que a reformulação ministerial ainda pode ser ampliada nos próximos dias.
Fonte: UOL
