Banqueiro do Banco Master articula acordo com PF e PGR desde o início do ano e pode revelar conexões políticas no Congresso
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| Daniel Vorcaro, CEO do Banco Master, numa foto produzida pela assessoria da instituição em 2024Imagem: Divulgação/Banco Master |
O banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, intensificou as negociações para firmar um acordo de delação premiada que pode envolver até 15 políticos, entre deputados e senadores. As tratativas vêm sendo conduzidas desde o início do ano e avançaram nos últimos dias com a formalização de etapas iniciais do processo.
Nesta semana, Vorcaro foi transferido para a superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde passou a ter maior acesso aos seus advogados. No local, ele assinou um termo de confidencialidade, considerado o primeiro passo para a construção do acordo de colaboração com as autoridades.
A defesa do banqueiro passou por mudanças estratégicas. O advogado José Luis Oliveira Lima assumiu oficialmente a representação de Vorcaro, após a saída de nomes como Pierpaolo Bottini e Roberto Podval, em razão de possíveis conflitos de interesse. A mudança ocorre porque o banqueiro já havia sinalizado a intenção de incluir, em eventual delação, pessoas que também eram clientes de seus antigos defensores.
Oliveira Lima também atua na negociação de delação de João Carlos Mansur, ex-presidente da Reag Investimentos, empresa investigada por suspeitas de ligação com organização criminosa e alvo da Operação Carbono Oculto, que apura crimes de lavagem de dinheiro envolvendo fundos de investimento. A conexão entre os casos se dá pelo uso desses fundos pelo Banco Master, o que aproxima as investigações.
Antes mesmo de sua prisão, Vorcaro já havia sido convidado a participar das tratativas envolvendo Mansur junto à Procuradoria-Geral da República (PGR), indicando que a possibilidade de colaboração já vinha sendo considerada.
Nos bastidores, o banqueiro vinha preparando o terreno para uma eventual delação e chegou a afirmar a interlocutores que precisaria abordar suas relações políticas e alianças no Congresso Nacional. Embora não tenha citado nomes publicamente, indicou que o conteúdo poderia alcançar figuras relevantes do cenário político.
Ainda em fevereiro, representantes da defesa informaram ao ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), que Vorcaro não pretendia incluir integrantes da própria Corte em sua delação. A resposta do ministro foi clara: o acordo só seria aceito se fosse completo, sem restrições ou omissões.
Após essa sinalização e diante do endurecimento das condições, Vorcaro teve sua prisão preventiva decretada. Com pedidos de liberdade negados por ministros do STF na semana passada, o banqueiro decidiu avançar definitivamente nas negociações de colaboração.
Com a reformulação da equipe jurídica e a adesão ao processo de delação, o caso passou a ser conduzido de forma mais direta pelo ministro André Mendonça, que autorizou a assinatura do termo de confidencialidade com a participação da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República.
A presença conjunta das duas instituições no acordo é vista como uma estratégia para dar maior robustez jurídica à delação, que pode ter forte impacto político e ampliar significativamente o alcance das investigações envolvendo o Banco Master.
Fonte: UOL
