Ataques em larga escala atingem Beirute e outras regiões mesmo após cessar-fogo entre EUA e Irã, ampliando tensão no Oriente Médio
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| Foto: Reuters/Mohammed Zahir/Proibida reprodução |
Israel realizou, nesta quarta-feira, a mais intensa ofensiva militar no Líbano desde o início do conflito com o Hezbollah, resultando na morte de mais de 250 pessoas e deixando mais de 1.100 feridos em diferentes regiões do país. A escalada ocorre mesmo após um acordo de cessar-fogo de duas semanas firmado entre Estados Unidos e Irã, levantando dúvidas sobre a efetividade da trégua na região.
Segundo autoridades libanesas, os bombardeios atingiram principalmente a capital Beirute, onde foram registradas pelo menos 91 mortes. O serviço de defesa civil contabilizou 254 mortos em todo o território, enquanto o Ministério da Saúde divulgou um número preliminar de 182 vítimas fatais, ainda sujeito a atualização.
Durante a tarde, uma sequência de ataques coordenados abalou a capital libanesa. De acordo com os militares israelenses, mais de 100 centros de comando e instalações do Hezbollah foram atingidos em um intervalo de apenas dez minutos, com operações simultâneas em Beirute, no Vale do Bekaa e no sul do país.
O episódio marca o dia mais mortal desde o início da guerra, que teve início em 2 de março, após ataques do Hezbollah contra Israel em apoio ao Irã. Em resposta, Israel iniciou uma ampla campanha militar aérea e terrestre.
Cenas de resgate e desespero foram registradas por jornalistas internacionais. Equipes de defesa civil utilizaram guindastes para retirar moradores presos em edifícios parcialmente destruídos, enquanto civis improvisavam o transporte de feridos em motocicletas diante da falta de ambulâncias. Hospitais da capital enfrentaram superlotação e chegaram a solicitar doações urgentes de sangue.
O alto comissário de direitos humanos da ONU, Volker Türk, classificou o cenário como alarmante. Segundo ele, “a escala da matança e da destruição no Líbano é nada menos que horrível”, destacando ainda que a ofensiva, ocorrida poucas horas após o acordo de cessar-fogo com o Irã, “desafia a crença”.
Líbano fora da trégua
Em pronunciamento, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que o Líbano não está incluído no cessar-fogo firmado com o Irã e que as operações militares contra o Hezbollah continuarão. A posição foi reforçada por autoridades dos Estados Unidos, incluindo o vice-presidente JD Vance, que atribuiu a situação a um possível “mal-entendido” por parte dos iranianos.
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que atuou como mediador nas negociações, havia indicado anteriormente que o acordo poderia abranger o Líbano, o que aumentou a confusão diplomática.
O Hezbollah afirmou que havia suspendido seus ataques em respeito ao cessar-fogo, mas acusou Israel de violar o entendimento e promover “massacres” em território libanês. Parlamentares do grupo advertiram que novas ações militares podem comprometer qualquer tentativa de acordo mais amplo.
Risco de escalada regional
A Guarda Revolucionária do Irã alertou que poderá reagir caso os ataques continuem, elevando o risco de uma escalada ainda maior no Oriente Médio. Já o presidente do Líbano, Joseph Aoun, condenou os bombardeios e afirmou que busca apoio internacional, incluindo pressão diplomática articulada com o presidente francês, Emmanuel Macron.
Além dos ataques aéreos, Israel também atingiu infraestruturas estratégicas, como pontes e áreas próximas ao rio Litani, com o objetivo de isolar regiões do sul do Líbano. Autoridades israelenses afirmaram que pretendem estabelecer uma “zona de contenção” no território.
A ofensiva ampliou a crise humanitária no país, com relatos de escassez de alimentos, medicamentos e serviços básicos em áreas mais afetadas, enquanto milhares de civis permanecem em regiões sob constante risco de novos ataques.
Fonte: Agência Brasil
