Governo prepara lançamento do Desenrola 2.0 para reduzir inadimplência e facilitar renegociação de milhões de brasileiros
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| Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil |
O governo federal deve anunciar ainda nesta semana uma nova edição do programa Desenrola Brasil, apelidada de Desenrola 2.0, com foco na renegociação de dívidas das famílias brasileiras. A principal novidade será a possibilidade de utilização do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) como instrumento para ajudar na quitação dos débitos.
A informação foi confirmada nesta segunda-feira (27) pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, após reuniões realizadas em São Paulo com representantes dos principais bancos do país.
Segundo o ministro, o uso do FGTS não será liberado de forma integral. Haverá um limite de saque, definido por percentual, destinado exclusivamente ao pagamento das dívidas incluídas no programa.
Durigan explicou que a proposta busca oferecer uma alternativa viável para quem enfrenta dificuldades financeiras sem comprometer totalmente os recursos do trabalhador. O valor utilizado será vinculado à renegociação e poderá até ser inferior ao montante total da dívida.
Durante o dia, o ministro se reuniu com dirigentes da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e executivos de instituições como BTG Pactual, Itaú Unibanco, Santander, Bradesco, Nubank e Citibank, com o objetivo de concluir os ajustes finais do programa antes de levá-lo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Além do uso do FGTS, o novo Desenrola contará com reforço do Fundo Garantidor de Operações (FGO), mecanismo que servirá para dar segurança às renegociações realizadas pelas instituições financeiras.
O programa deve concentrar esforços nas dívidas consideradas mais pesadas para o orçamento das famílias, especialmente aquelas relacionadas ao cartão de crédito, cheque especial e crédito direto ao consumidor (CDC) — modalidades conhecidas pelas taxas de juros elevadas.
O governo negocia com os bancos a redução significativa dos encargos e estima que os descontos possam chegar a até 90%, dependendo do perfil da dívida e das condições acordadas.
Apesar do relançamento, o ministro destacou que a iniciativa terá caráter excepcional e não será permanente. Segundo ele, trata-se de uma medida emergencial para enfrentar o alto nível de endividamento da população em meio ao cenário econômico atual.
A expectativa oficial é de que dezenas de milhões de brasileiros sejam beneficiados. Na primeira edição do Desenrola Brasil, lançada em 2023, cerca de 15 milhões de pessoas renegociaram R$ 53,2 bilhões em dívidas.
Fonte: Agência Brasil
