Operação Compliance Zero: PF prende ex-presidente do BRB e advogado ligado a Vorcaro

Investigação aponta esquema com imóveis milionários, empresas de fachada e tentativa de flexibilizar regras para aquisição do banco Master

O ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e o advogado Daniel Monteiro, presos hoje pela Polícia Federal -Imagem: Divulgação 


A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira, uma nova fase da Operação Compliance Zero e prendeu o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, e o advogado Daniel Monteiro, apontado como o principal articulador jurídico do empresário Daniel Vorcaro no âmbito do banco Master.

Segundo as investigações, Daniel Monteiro atuava como o “arquiteto jurídico” de Vorcaro, sendo responsável por estruturar toda a engrenagem legal que sustentava o esquema sob apuração. Ele também seria o elo entre o banco Master e outros advogados envolvidos nas operações suspeitas.

Já Paulo Henrique Costa é investigado por sua atuação direta na tentativa de aquisição do banco Master pelo BRB. A Polícia Federal aponta que ele teria contribuído para flexibilizar regras internas e facilitar a operação, que acabou sendo barrada posteriormente.

A ofensiva desta fase da operação inclui ainda o cumprimento de sete mandados de busca e apreensão, autorizados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça.

As apurações revelam um possível esquema de pagamento de vantagens indevidas por meio da transferência de imóveis de alto padrão. De acordo com mensagens obtidas pela Polícia Federal, Paulo Henrique Costa teria sido beneficiado com cerca de R$ 146,5 milhões em imóveis, repassados por Daniel Vorcaro como contrapartida por sua atuação na negociação envolvendo o banco Master.

Os registros indicam tratativas detalhadas entre Vorcaro, Monteiro e Costa para a transferência de ao menos sete propriedades localizadas em São Paulo e Brasília. Entre os empreendimentos citados estão edifícios de alto padrão como Heritage, Arbórea, One Sixty, Casa Lafer, Ennius Muniz e Valle dos Ipês.

Para ocultar a origem dos recursos, os investigados teriam utilizado empresas de fachada, numa tentativa de dissimular a natureza ilícita das transações. As negociações estavam em andamento, mas foram interrompidas após Vorcaro ter sido alertado, de forma ilegal, sobre a existência da investigação.

A Polícia Federal também identificou a criação de um suposto mecanismo paralelo de compliance, estruturado justamente para contornar controles internos e regras de conformidade exigidas no sistema financeiro.

O caso ganhou força a partir da tentativa de aquisição do banco Master pelo BRB, operação que já havia motivado a primeira fase da Compliance Zero, deflagrada em novembro de 2025. Meses antes, em março, o banco público havia anunciado a intenção de compra da instituição controlada por Vorcaro.

De acordo com os investigadores, o banco Master enfrentava risco iminente de colapso financeiro e buscou apoio do BRB como forma de obter liquidez e evitar a quebra. Há indícios de que o patrimônio da instituição teria sido artificialmente inflado para viabilizar a negociação.

O contrato firmado previa a aquisição, pelo BRB, de 100% das ações preferenciais e 49% das ações ordinárias do banco Master, o que resultaria no controle de 58% do capital total da instituição. No entanto, a operação foi barrada pelo Banco Central em setembro de 2025.

Procuradas, as defesas dos investigados ainda não se manifestaram. O espaço segue aberto para eventuais posicionamentos.

Fonte: UOL

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