Petróleo dispara e ultrapassa US$ 100 com tensão no Golfo e ameaça de bloqueio no Estreito de Ormuz

Fracasso em negociações entre EUA e Irã e postura agressiva de Trump elevam temor no mercado global

Preços do petróleo sobem acima de US$ 100 neste domingo — Foto: Gregory Bull, File/AP


Os preços do petróleo voltaram a subir com força neste domingo (12), ultrapassando a marca de US$ 100 por barril, em meio ao agravamento das tensões entre Estados Unidos e Irã. O movimento ocorre após o fracasso das negociações diplomáticas entre os dois países e novas ameaças do presidente Donald Trump de bloquear completamente o estratégico Estreito de Ormuz.

No mercado internacional, o petróleo tipo Brent, referência global, registrava alta de 6,80% por volta das 19h, sendo negociado a US$ 101,93 o barril. Já o WTI (West Texas Intermediate), referência nos Estados Unidos, avançava 7,98%, chegando a US$ 104,27.

Negociações fracassadas ampliam crise

Durante o fim de semana, representantes dos EUA e do Irã se reuniram em Islamabad na tentativa de avançar em um acordo de paz. As conversas, que duraram cerca de 21 horas, terminaram sem consenso.

Ao deixar o país na madrugada de domingo, o vice-presidente JD Vance afirmou que o impasse ocorreu após a recusa do Irã em aceitar condições impostas por Washington, especialmente no que diz respeito ao desenvolvimento de armas nucleares.

Segundo Vance, os Estados Unidos exigem garantias claras de que o país iraniano não desenvolverá armamento nuclear nem terá capacidade de produzi-lo rapidamente. Ele também destacou que manteve contato constante com Trump e outros membros do governo durante toda a negociação.

Ameaça de bloqueio eleva tensão global

Após o fracasso das tratativas, Trump voltou a endurecer o discurso. Em publicações nas redes sociais, o presidente afirmou que a Marinha norte-americana poderá iniciar um bloqueio total no Estreito de Ormuz — uma das principais rotas de escoamento de petróleo do mundo.

De acordo com ele, embarcações comerciais que tenham pago taxas ao governo iraniano para transitar pela região poderão ser interceptadas, inclusive em águas internacionais. A medida visa atingir diretamente a economia do Irã, interrompendo o fluxo estimado de cerca de 2 milhões de barris de petróleo que passam diariamente pelo estreito.

A escalada de tensão no Oriente Médio e a possibilidade de restrições mais severas ao transporte marítimo têm impulsionado os preços da commodity desde o início do conflito.

Fluxo de navios segue reduzido

O movimento de navios na região permanece abaixo do normal. Sob controle iraniano, o tráfego no Estreito de Ormuz continua limitado, já que muitas empresas evitam operar na área por questões de segurança.

Dados indicam que houve uma leve melhora recente, com a travessia de três superpetroleiros não iranianos, mas o volume ainda está longe do padrão habitual. Mesmo após um cessar-fogo considerado frágil na semana anterior, que chegou a aumentar temporariamente o fluxo, o cenário voltou a se deteriorar após o colapso das negociações.

Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, o número de embarcações que cruzam o estreito tem se mantido em níveis extremamente baixos, frequentemente em apenas um dígito por dia. Em períodos normais, a média era de aproximadamente 135 travessias diárias, evidenciando o impacto significativo da crise sobre o comércio global de petróleo. 

Fonte: G1

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